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MPT apura denúncia de assédio eleitoral após Ricardo Nunes pedir apoio a Flávio Bolsonaro

Ricardo Nunes, Flávio Bolsonaro e Tarcísio de Freitas. Reprodução

 

O Ministério Público do Trabalho (MPT) confirmou nesta terça-feira (20) que apura uma denúncia de suposto assédio eleitoral envolvendo a Prefeitura de São Paulo, comandada por Ricardo Nunes (MDB), e entidades conveniadas. O caso surgiu após a divulgação de vídeos e áudios em que o prefeito pede a servidores comissionados apoio à candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro (PL). Com informações de g1.

Em uma das gravações, Nunes orienta os presentes a usarem materiais de campanha e mobilizarem eleitores. “Precisamos colocar o adesivo no nosso carro, colocar o 22 no peito e nas nossas redes sociais, participar dos atos, falar com as pessoas. E a gente vai ter, sem dúvida nenhuma, uma grande vitória do Flávio Bolsonaro, uma vitória do Brasil”, disse.

O prefeito também pediu que servidores divulgassem a campanha em redes sociais, criassem listas de transmissão no WhatsApp e convidassem pessoas para uma manifestação realizada no domingo (18), na Avenida Paulista. “Se puderem divulgar nas redes sociais, convidando as pessoas a estarem lá amanhã, criar a lista de transmissão do WhatsApp […] e ir para a rua nesses últimos dias para falar com todo mundo”, afirmou.

Ricardo Nunes durante discurso a servidores comissionados
Prints de WhatsApp indicando o endereço do ato bolsonarista. Foto: Reprodução

No mesmo discurso, Nunes criticou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, e defendeu empenho pela vitória de Flávio Bolsonaro no segundo turno, marcado para domingo (25). “Vocês sabem qual é o único vermelho que vai ter nessa eleição, dia 25? É o cartão vermelho para o Lula”, declarou.

MPT investiga denúncia envolvendo prefeitura e entidades conveniadas

O MPT afirmou que recebeu uma denúncia relacionada a uma possível prática de assédio eleitoral nas relações de trabalho que envolvem a administração municipal e organizações conveniadas. “Os fatos estão em apuração. Por ora, não há outras informações que possam ser divulgadas”, informou o órgão.

A Prefeitura de São Paulo não havia se posicionado até a última atualização do caso. Ao convidar os comissionados para o ato na Paulista, Nunes disse que estaria no local com Flávio Bolsonaro, o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) e o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG).

Uma funcionária de uma creche conveniada relatou pressão para participar da manifestação em apoio ao candidato do PL. Sem se identificar por medo de represálias, ela afirmou que a diretora reuniu os empregados na sexta-feira (16), anunciou uma convocação para evento político e depois pediu assinaturas individuais em uma lista de presença.

A trabalhadora disse que os empregados precisariam arcar com o deslocamento fora do expediente, enquanto participantes receberiam folgas. “Não é voluntário. Na verdade, é uma convocação, um convite com pressão. E oferecem uma folga”, relatou. A unidade onde ela trabalha é vinculada à ONG Pleno Viver, que administra creches conveniadas à Prefeitura de São Paulo.