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Suásticas são pichadas na UFSM, e PF é acionada; ataques bolsonaristas a universidades tomam o país

Universidade Federal de Santa Maria (RS) vem sofrendo ataques em sequência de grupos extremistas de direita (crédito: UFSM)

Estudantes do curso de Geografia da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), no Rio Grande do Sul, encontraram, por volta das 6h40 na manhã da última terça-feira (20), o prédio do Diretório Acadêmico (Dageo) pichado com desenhos de suásticas nas paredes. Além disso, notaram a remoção de adesivos de posicionamento político e o furto de uma bandeira de representatividade LGBTQIA+ que ficava exposta no local.

Os alunos agiram rápido: informaram à reitoria e aguardaram até a chegada da Polícia Federal, que imediatamente isolou o local. Até o momento, a PF desconhece a autoria do registro, e imagens de câmeras de segurança serão analisadas. Conforme o delegado Carlos Feijó, responsável pelo caso, a investigação vai colher depoimentos nos próximos dias.

Uma das pichações com símbolos nazistas encontradas na UFSM (crédito: reprodução/Facebook)

Já a reitoria da universidade se manifestou por meio de nota, no final da tarde da própria terça-feira, repudiando o ocorrido:

“A Universidade Federal de Santa Maria e o Centro de Ciências Naturais e Exatas (CCNE) repudiam e manifestam sua indignação diante da invasão do espaço do Diretório Acadêmico da Geografia, no campus sede bem como da inscrição de símbolos nazistas no local.
A UFSM e o CCNE reiteram que a apologia ao nazismo e qualquer ato de intimidação ou discriminação configuram crime e afrontam diretamente os valores fundamentais de uma instituição pública, plural e democrática.

As medidas de isolamento do local e registro da ocorrência junto à Polícia Federal, responsável pela apuração criminal, foram novamente providenciadas. Os fatos serão integrados aos procedimentos administrativos já iniciados para a identificação e responsabilização dos envolvidos.”

Como se nota, a reitoria fala em “procedimentos administrativos já iniciados” e medidas de combate ao crime que foram “novamente providenciadas”. 

Isso porque faz menos de duas semanas que a USFM foi palco do mesmo crime de apologia ao nazismo: pelo menos seis pichações com o desenho da chamada runa Odal, acompanhados da frase “Você não está só”, foram encontrados entre a manhã do dia 7 e a tarde do dia 6 na universidade. Quatro casos foram identificados no CCNE e outros dois no Centro de Tecnologia, de acordo com a instituição.

Na ocasião, a universidade abriu uma sindicância interna e publicou sua primeira nota de repúdio sobre o caso, lembrando que “o uso de símbolos nazistas não é opinião nem brincadeira. Eles remetem a uma ideologia responsável pela perseguição e pelo extermínio de milhões de pessoas. A apologia ao nazismo e a incitação à discriminação e ao preconceito são crimes previstos na Lei nº 7.716/1989.

A runa Odal tem origem em antigos alfabetos germânicos, mas foi apropriada pelo nazismo e utilizada por divisões militares da Alemanha nazista. Posteriormente, o símbolo também passou a ser adotado por grupos de extrema-direita, neonazistas e supremacistas brancos. Veja uma das pichações com a runa Odal, em reprodução abaixo.

Símbolo nazista desenhado em banheiro da UFSM (crédito: Polícia Federal)

O caso da USFM não é isolado. Durante este período eleitoral, universidades públicas por todo o país têm registrado ataques de grupos bolsonaristas, que invadem prédios de faculdades e centros acadêmicos para agredir estudantes e danificar muros, bandeiras, cartazes e faixas que contenham ideias e posicionamentos políticos diferentes daqueles que eles perpetram.

Veja, abaixo, alguns dos casos mais recentes registrados nas universidades públicas brasileiras.


UFRR: Deputado do PL invade sala de aula, rasga panfletos com críticas a Flávio e furta bandeira antifascista

Na noite da última sexta-feira (16), a blogueira e candidata a deputada estadual não eleita Athaally e o deputado estadual Marcinho Belota (PL-RR) invadiram a Faculdade de Direito da Universidacde Federal de Roraira (UFRR) e rasgaram material que os alunos prepararam com várias informações sobre o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro. No sábado à tarde (17), cinco homens, entre eles um que estava armado armado, invadiram a Faculdade de Direito e o Centro de Ciências Humanas (CCH), destruindo materiais e interrompendo uma aula de sociologia.

No último dia 3, Marcinho Belota foi alvo de uma operação de busca e apreensão da PF em sua residência, onde foram apreendidos computadores, material de campanha e dinheiro em espécie, na esteira de uma investigação onde 22 pessoas já foram presas por montarem um esquema de compra de votos.

 

A reitoria da UFRR repudiou os dois ataques. “A Universidade é, por sua própria natureza, um espaço de liberdade, de estímulo ao pensamento crítico, de pluralidade, diálogo e respeito às diferenças. O que não pode ser admitido é que divergências se transformem em invasão de espaços, intimidação, destruição de bens ou qualquer forma de violência ou desrespeito”, disse em nota, informando que vai adotar “todas as medidas administrativas, legais e judiciais cabíveis para a completa apuração do ocorrido e a responsabilização dos envolvidos”.

UFAL: Dez homens chegam em carros de campanha de Flávio, invadem sala de aula, intimidam professora e destroem cartazes

Em 8 de outubro de 2026, na Universidade Federal de Alagoas (Ufal), no campus de Arapiraca, dez homens chegaram ao local em duas caminhonetes com imagens de Flávio Bolsonaro, invadiram salas de aula e espaços estudantis para destruir cartazes críticos ao candidato do PL e ao seu vice, Alfredo Gaspar.

Os homens alegaram que o material seria ilegal, mas uma professora os orientou a recorrer à Justiça caso considerassem haver alguma irregularidade. Testemunhas relataram intimidação, e a universidade pediu apoio de órgãos de segurança e a apuração do episódio.


UnB: Candidato bolsonarista derrotado é preso em flagrante enquanto depredava patrimônio e intimidava estudantes

No dia 27 de setembro, Wilker Leão, então candidato a deputado federal pelo Novo, foi preso em flagrante pela Polícia Federal, após depredar pinturas em muro do Instituto de Artes da UnB (Universidade de Brasília), acompanhado de apoiadores que agrediram estudantes no local.

Em nota, a universidade associou o ataque a “métodos adotados pela extrema-direita” que, além de ilegais, “são covardes, porque só se viabilizam na impossibilidade do debate qualificado”.

Leão tem sido pivô de uma série de conflitos com a comunidade universitária. Recentemente, ele foi expulso da UnB, onde cursava História, após processo disciplinar que o condenou por gravar sem consentimento professores e alunos, com o objetivo de ridicularizá-los.

Em abril, acompanhado de outros militantes de direita, chegou a convocar um ato na UnB que estimulava violência contra estudantes da instituição. Na convocação, foram feitas menções como “trocar porrada com os vermes” e “porrada nos comunistas”.

 


UFBA: Deputado do PL invade faculdade, agride diretor e estudantes, rasga cartazes e é proibido pela Justiça de entrar de novo em instituições de ensino

No último dia 22 de agosto, a Justiça determinou restrições à atuação do deputado estadual Diego Castro (PL) em escolas, hospitais e equipamentos públicos estaduais da Bahia. A decisão ocorreu dois dias após o parlamentar invadir o campus da UFBA (Universidade Federal da Bahia) e agredir estudantes e até o diretor da Faculdade de Comunicação da instituição, em Salvador (veja vídeo, abaixo).

Pela ordem judicial, Diego Castro não poderá entrar em unidades de ensino, obras ou equipamentos públicos sem autorização prévia e agendamento formal.

A decisão também proíbe o deputado de fazer filmagens, transmissões ao vivo ou abordagens de caráter político-partidário contra servidores, professores, gestores e alunos nesses locais.

Em nota, a Universidade Federal da Bahia solicitou “o posicionamento da Assembleia Legislativa do Estado da Bahia, conclamando-a a tomar, com urgência, as devidas providências diante da conduta indecorosa de um dos seus membros.”

 

UFRGS: Candidato derrotado do PL invade campus, agride estudantes e apaga críticas a Flávio

Candidato derrotado do PL a deputado estadual do RS invade campus da UFRGS e agride estudantes. (crédito: reprodução)

No dia 10 agosto, a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), em Porto Alegre, foi invadida por um grupo de extremistas capitaneados pelo então candidato (derrotado) a deputado estadual Alemão Klaus (PL-RS).

Ele e seu bando adentraram ao Campus do Vale, arrancaram cartazes estudantis, cobriram com tinta manifestações dos estudantes contrárias ao feminicídio, vandalizaram paredes de centros acadêmicos e agrediram a todos que tentaram impedir os atos hostis. A ação levou os alunos a acionar a segurança da universidade, que repudiou o ocorrido.

Unicamp: extremistas invadem e destroem acampamento de estudantes em greve

Na madrugada de 27 de maio de 2026, estudantes em greve na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) foram surpreendidos por um grupo extremista de direita, que invadiu o acampamento montado no campus de Barão Geraldo, em Campinas, no interior paulista. Os manifestantes dormiam em barracas nas proximidades do Ciclo Básico II quando, por volta das 2h, os invasores chegaram ao local, derrubaram estruturas, dirigiram ofensas aos estudantes e provocaram uma situação de confronto.

Conforme as imagens gravadas na ocasião, os extremistas  utilizaram um megafone para insultar os grevistas, chamando-os de “vagabundos”, “desocupados” e “covardes”. O episódio foi registrado em boletim de ocorrência na Polícia Civil, e representantes do movimento estudantil pediram providências para identificar e responsabilizar os envolvidos.

Em nota publicada no próprio dia 27, a Reitoria da Unicamp repudiou a invasão e os atos de intimidação praticados por pessoas de fora da comunidade universitária. A administração afirmou que episódios de invasão, filmagens não autorizadas e condutas que coloquem em risco a integridade física de estudantes, professores e funcionários são incompatíveis com a autonomia universitária e com a convivência democrática. Também informou que adotaria medidas administrativas e jurídicas para identificar os envolvidos e apurar responsabilidades.

A nota da universidade termina como um alerta que serve a todos os brasileiros que irão às urnas no próximo dia 25:

“É urgente a articulação das direções das faculdades atingidas para exigir a identificação, criminalização e responsabilização judicial desses invasores e de seus articuladores. Não podemos permitir que os campi sejam submetidos ao medo e à coerção de grupos extremos. A autonomia universitária e a integridade de nossa comunidade são inegociáveis.”