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“Tem que abrir tudo”: até Nikolas Ferreira já defendeu abertura de contas de “Dark Horse”

Nikolas Ferreira Flávio Bolsonaro
O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) e o candidato a presidência Flávio Bolsonaro (PL). Foto: Allison Sales/Folhapress

“Tem que abrir tudo. Se não tem nada, mostra tudo.” A declaração do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), aliado de Flávio Bolsonaro (PL), aparece em um vídeo de propaganda eleitoral identificado com o perfil do PT de São Paulo e a mensagem “Abre as contas, Flávio!”. O recorte recupera uma entrevista concedida em 7 de setembro à BNTV, na qual o parlamentar defendeu a divulgação das informações sobre o financiamento de “Dark Horse”, filme sobre Jair Bolsonaro.

Durante a conversa, Luiz Bacci perguntou se Nikolas era favorável ao levantamento do sigilo das investigações sobre a produção. “Total, claro!”, respondeu o deputado, antes de cobrar prestação de contas. A manifestação tratava dos dados do filme e antecede o desafio feito por Lula no debate da Band para que os candidatos divulguem seus sigilos pessoais.

Nikolas dirigiu parte da cobrança ao deputado Mário Frias (PL-SP), produtor executivo do longa. Disse que havia pedido explicações ao colega e que as informações prometidas ainda não tinham sido apresentadas. Ao ser questionado por Bacci sobre um suposto relatório de transparência, afirmou que não havia recebido nem visto o documento. A cobrança ocorreu depois de Flávio prometer a divulgação de um relatório sobre os recursos empregados na produção.

Na entrevista, o deputado também procurou resguardar Flávio. Segundo a Folha de S.Paulo, Nikolas afirmou que o senador havia buscado financiamento privado para o filme e sugeriu que talvez desconhecesse o que acontecia ao seu redor. As cobranças mais incisivas foram direcionadas a Frias, que reagiu chamando o parlamentar mineiro de “suposto aliado” e negou irregularidades envolvendo a produção.

O vídeo associa a defesa de transparência feita por Nikolas à pressão atual sobre Flávio. Nesta terça-feira (20), Lula formalizou no TSE e no STF uma autorização condicionada para divulgar seus sigilos: a iniciativa depende de o adversário adotar a mesma medida. A proposta abrange oito anos de informações bancárias, fiscais e telefônicas e inclui familiares e empresas vinculadas aos candidatos.

Flávio é investigado pelo financiamento de “Dark Horse” com recursos de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. O senador participou das negociações para obter o dinheiro destinado à cinebiografia do pai. A PF apura possíveis crimes no financiamento da obra, enquanto Flávio sustenta que sua relação com Vorcaro se limitou às tratativas para viabilizar o filme e nega irregularidades.

A produtora Go Up informou ter entregado à PF cerca de 25 mil páginas de documentos sobre os gastos da produção no Brasil, incluindo contratos, notas fiscais e comprovantes bancários. A defesa sustenta que o material demonstra a aplicação dos recursos no longa. A documentação está sujeita à análise dos investigadores e não equivale, por si só, à validação das contas.