
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ampliou sua vantagem sobre Flávio Bolsonaro (PL-RJ) no Índice de Popularidade Digital (IPD) da Quaest após o debate da Band. No monitoramento realizado até segunda-feira (19), o petista registrou 83,3 pontos, contra 76,6 do senador. A diferença passou de 6,2 pontos na sexta-feira (16) para 6,7 pontos. As informações são da Folha de S.Paulo.
O resultado representa um avanço de 12,6 pontos para Lula e uma queda de 3,5 pontos para Flávio em comparação com a véspera do primeiro turno. A escala vai de zero a 100 e mede desempenho digital. Os números não correspondem a percentuais de intenção de voto nem constituem uma projeção do resultado eleitoral.
O cálculo reúne 175 variáveis de Facebook, Instagram, X, TikTok, YouTube, Google e Wikipédia. Entre os aspectos considerados estão presença, visibilidade, engajamento, compartilhamentos, menções espontâneas, reações positivas e negativas e interesse de busca. Segundo a metodologia descrita pela reportagem, o algoritmo também procura reduzir a interferência de atividades automatizadas.
Com 83,3 pontos, Lula retornou ao melhor patamar da série, já registrado entre 8 e 11 de outubro. Flávio apresentou recuperação em relação aos 75,8 pontos de sexta-feira, mas permaneceu abaixo do pico de 81,7 alcançado em 6 de outubro, quando recebeu o apoio do ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD).
No Instagram, Lula ganhou 178 mil seguidores após o debate, enquanto Flávio acrescentou 149 mil. Desde o primeiro turno, o presidente acumulou 2,2 milhões de novos seguidores e chegou a 18 milhões na plataforma. O adversário ganhou 1,8 milhão no período e alcançou 15 milhões.
O monitoramento também apontou mudança na distribuição dos comentários. Consideradas as postagens dos dois candidatos nas redes analisadas, Lula concentrou 95% dos 6 milhões de comentários registrados no dia do debate. No dia da votação do primeiro turno, Flávio havia reunido 88% do total. Essa participação mede o volume de comentários, sem significar que todas as manifestações sejam favoráveis ao candidato.

No Google Trends, Flávio apresentou reação: seu indicador de interesse de busca passou de 6 pontos no dia do confronto para 15. Lula permaneceu em 49 pontos. As pontuações expressam interesse relativo na ferramenta, não quantidade de eleitores ou proporção de votos.
Felipe Nunes, diretor da Quaest, avaliou à Folha que os cortes do debate favoreceram Lula e interromperam a reação digital que Flávio vinha apresentando. O pesquisador afirmou que o IPD tem correlação de 86% com resultados eleitorais. A relação mencionada por ele não equivale a uma probabilidade de vitória de qualquer candidato. “A disputa não termina quando a transmissão acaba; ela continua nos comentários, nos cortes e nas buscas do dia seguinte”, disse.
O desempenho de Lula foi registrado mesmo com uma interrupção das postagens de André Janones (Rede-MG), coordenador do canal “Exército do Lula”, durante sua internação por arritmia cardíaca. O deputado recebeu alta nesta terça-feira (20) e anunciou a retomada do trabalho na campanha. O levantamento acompanha a evolução da mobilização, sem isolar quanto do resultado pode ser atribuído à atuação do parlamentar.