
Aliados do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) aconselham o candidato à Presidência a ser “menos Pablo Marçal” no debate da TV Globo, marcado para sexta-feira (23). O receio é que a repetição da postura agressiva adotada contra o presidente Lula (PT) na Band aumente sua rejeição na reta final do segundo turno. As informações são da coluna de Jussara Soares, na CNN Brasil.
Integrantes mais comedidos da campanha defendem que Flávio baixe o tom e deixe o adversário partir para o ataque. Na avaliação desses aliados, o senador precisa preservar eleitores que já declaram voto nele, mas ainda sem convicção, e evitar afastar os indecisos. Também há preocupação com a possibilidade de transmitir arrogância ou a impressão de que considera a eleição vencida.
A orientação ganhou força depois do confronto de domingo (18). Embora tenha iniciado o programa cumprimentando Lula, Flávio passou a recorrer a ataques e expressões de deboche. Segundo avaliações qualitativas citadas por integrantes da campanha, o comportamento incomodou eleitores que esperavam a versão moderada do candidato apresentada ao longo da disputa.
Pablo Marçal, que passou a atuar como conselheiro da campanha, participou da preparação para o debate da Band ao lado do deputado Nikolas Ferreira (PL-MG). Flávio ensaiou gestos e reações atrás de Lula para produzir cortes destinados às redes sociais. Durante o programa, circulou atrás do presidente e fez sinais de discordância enquanto o petista falava.

Para o encontro na Globo, aliados recomendam concentrar o discurso em propostas sobre custo de vida e segurança pública, além de rebater acusações de que um eventual governo do PL cortaria programas sociais, como o Bolsa Família. O diagnóstico é que cabe a Lula, que terminou o primeiro turno atrás do adversário, assumir os riscos de uma postura mais ofensiva.
A mudança recomendada não elimina os ataques ao presidente. A campanha pretende continuar explorando denúncias envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, e episódios de corrupção de governos petistas. Flávio também é aconselhado a preparar respostas para as cobranças de abertura de seus sigilos bancário, fiscal e telefônico.
Nesta terça-feira (20), Lula voltou a vincular o próximo confronto à apresentação de uma autorização do adversário para divulgar os próprios dados. “Porque um presidente da República não pode debater com ladrão”, afirmou durante caminhada entre Juazeiro, na Bahia, e Petrolina, em Pernambuco. A declaração integra a pressão política do petista sobre Flávio e não representa uma decisão sobre as regras de participação no debate.