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Flávio Bolsonaro promete trem entre capitais do Nordeste e não explica a obra

Flávio Bolsonaro. Foto: Nelson Almeida/AFP

O candidato Flávio Bolsonaro (PL) prometeu construir uma ferrovia de 1.400 quilômetros para ligar sete capitais do Nordeste, mas não apresentou traçado, orçamento, estudos de viabilidade nem a origem dos recursos para a obra. Batizado de “Trem do Nordeste”, o projeto prevê transporte de passageiros voltado ao turismo e exclui o uso de dinheiro da União.

A linha ligaria Salvador, Aracaju, Maceió, Recife, João Pessoa, Natal e Fortaleza. A proposta não detalha como a ferrovia atravessaria áreas densamente ocupadas dessas capitais, quais desapropriações seriam necessárias ou quanto tempo a construção demandaria.

A campanha de Flávio Bolsonaro não respondeu aos questionamentos enviados sobre esses pontos na segunda (19). Até agora, a única diretriz divulgada estabelece que a iniciativa privada financiaria integralmente o empreendimento.

Em agosto, a coordenadora econômica da campanha, Daniella Marques, disse que o plano poderia reunir capital de empresas, concessões e parcerias público-privadas, sem dependência direta do Orçamento da União. Em Maceió, no dia 25 de agosto, Flávio falou em construir “um trem que ligue as capitais do Nordeste para incentivar o turismo”.

Estimativa parte de R$ 28 bilhões para a ferrovia

Trilhos de ferrovia
Trilhos de ferrovia. Foto: Reprodução

Dados do setor ferroviário indicam um custo entre R$ 20 milhões e R$ 30 milhões por quilômetro de trilhos, a depender das características do projeto. Nessa faixa, os 1.400 quilômetros anunciados custariam de R$ 28 bilhões a R$ 42 bilhões, sem considerar detalhes ainda ausentes, como intervenções urbanas e desapropriações.

Como referência, a Agência Nacional de Transportes Terrestres previu R$ 10,2 bilhões para os 363 quilômetros da Ferrovia de Integração Centro-Oeste, entre Mara Rosa, em Goiás, e Água Boa, em Mato Grosso, em junho de 2025. O valor equivale a cerca de R$ 28 milhões por quilômetro.

A especialista em infraestrutura Isadora Cohen, sócia da ICO Consultoria, afirmou que a receita das tarifas não basta para sustentar investimentos desse porte. “A tarifa por si só não consegue sustentar todos os investimentos necessários em projetos assim. Toda equação de risco e retorno é importante para um projeto como esse”, disse.

O trem intercidades entre São Paulo e Campinas ilustra a participação estatal em projetos de passageiros: a concessão leiloada em fevereiro de 2024 prevê aporte de R$ 8,98 bilhões do governo paulista dentro de um pacote de R$ 14,2 bilhões. Na União Europeia, serviços contratados pelos governos responderam por 58,7% do transporte ferroviário de passageiros do bloco em 2022, segundo relatório da Comissão Europeia publicado em julho de 2025.