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Arregou: Flávio Bolsonaro deve ignorar desafio de Lula para abrir sigilos

Lula e Flávio Bolsonaro durante debate eleitoral
Lula e Flávio Bolsonaro lado a lado durante debate eleitoral em estúdio. Foto: Eduardo Knapp/Folhapress

A campanha de Flávio Bolsonaro (PL) pretende ignorar o desafio do presidente Lula (PT) para que ambos abram os sigilos bancário e telefônico, segundo a Folha de S.Paulo. Aliados do senador avaliam que a ofensiva do petista sobre o caso Banco Master e outras suspeitas não atingiu eleitores indecisos.

Lula lançou o desafio no debate da Band, no domingo (18), e formalizou a proposta no TSE nesta terça (20). O presidente disse que disponibilizaria seus próprios dados e os da primeira-dama, Janja, e de seus filhos caso o adversário adotasse a mesma medida.

Integrantes da campanha de Flávio dizem que o senador manterá o sigilo das contas e do telefone. O entorno do candidato argumenta que seus rendimentos já constam nas informações entregues à Justiça Eleitoral e classifica a cobrança como uma tentativa de constrangimento na reta final da disputa.

O tema deve voltar ao debate da Globo, marcado para sexta (23). No primeiro turno, Flávio recebeu 47,03% dos votos e Lula teve 45,16%; pesquisa Datafolha divulgada no dia 16 apontou 51% dos votos válidos para o candidato do PL e 49% para o presidente.

Investigação no STF e referência a contas bancárias

Rogéria, mãe de Eduardo, Carlos e Flávio Bolsonaro. Foto: Reprodução

Lula incluiu no desafio os sigilos de Jair Bolsonaro, Rogéria Bolsonaro, Carlos Bolsonaro (PL-SC), Eduardo Bolsonaro, Jair Renan Bolsonaro (PL-SC) e Fernanda Antunes Figueira Bolsonaro, mulher de Flávio. A proposta também cita empresas e contas nas quais familiares atuem como responsáveis financeiros ou “usuário máster”.

A referência alcança uma investigação no STF em que a Polícia Federal pediu a abertura de inquérito contra Flávio por suspeita de lavagem de dinheiro envolvendo o advogado Willer Tomaz, amigo do senador. Tomaz também é investigado por suspeitas de fraudes no INSS.

A apuração surgiu a partir de movimentações ligadas ao setor de apostas. Uma empresa de Tomaz pagou voos de Flávio Bolsonaro para a Europa em 2025, e a PF apontou que o senador tinha acesso operacional relevante como usuário máster de uma conta da offshore Alcazar Holding, da qual o advogado é sócio.

Segundo a Polícia Federal, o acesso de Flávio à conta da Alcazar Holding foi excluído em maio de 2025. Durante o debate, o senador recusou a abertura dos sigilos e acusou, sem apresentar provas, Lula de receber dinheiro “por fora” de Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master.