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Tabata pede investigação sobre interferência estrangeira nas eleições

Tabata Amaral. Fptp? Zeca Ribeiro/Agência Câmara

A deputada federal Tabata Amaral (PSB-SP) defendeu uma apuração sobre uma interferência estrangeira nas eleições brasileiras por meio de redes sociais e algoritmos. Reeleita para o terceiro mandato, ela questionou a influência das grandes empresas de tecnologia na disputa eleitoral.

“Eu não sei se a gente não está vivendo o resultado de uma interferência estrangeira. Eu não sou da teoria da conspiração, sou séria demais para esse tipo de coisa”, disse a parlamentar. Para Tabata, o país precisa ao menos investigar o funcionamento das plataformas e seus efeitos sobre o processo eleitoral.

A deputada afirmou que um pequeno grupo de empresas sediadas no Vale do Silício concentra poder sobre a circulação de conteúdos. Ela relacionou as lideranças dessas companhias a uma liderança política estrangeira e citou o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Tabata listou situações que considera suspeitas, como perfis de extrema direita que alcançam milhões de visualizações e que ela avalia poderem usar robôs. Ela também mencionou dificuldades em buscas pelo perfil do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e sugestões de canais bolsonaristas no WhatsApp para usuários que procuram conteúdos ligados ao petista.

Protesto contra a Meta em SP. Foto: Paulo Pinto/Agencia Brasil

Projeto de lei propõe transparência contra robôs e impulsionamento

Em 2020, no primeiro mandato na Câmara, Tabata apresentou um projeto de lei para limitar contas automatizadas ou falsas nas plataformas digitais. A proposta também prevê mais transparência sobre o impulsionamento de conteúdos.

A parlamentar citou ainda ferramentas de inteligência artificial que, segundo ela, recusariam pedidos para criar artes favoráveis a Lula, mas atenderiam a solicitações semelhantes envolvendo o adversário. Ela reconheceu a interpretação de que as redes tendem a privilegiar discursos violentos e extremos, mas afirmou não acreditar que esse fator explique sozinho o cenário.

“Eu acho que a gente tem indício demais para pelo menos se questionar”, declarou. Na avaliação da deputada, o Brasil poderá levar décadas para compreender o impacto de uma eventual intervenção eleitoral mediada por algoritmos e plataformas estrangeiras.

Ao tratar da atuação progressista na internet, Tabata disse que a esquerda deixou de ocupar as redes sociais por muito tempo. Para ela, perfis institucionais não bastam, porque eleitores esperam respostas, diálogo e escuta das lideranças.

A deputada afirmou que sua campanha usa o WhatsApp para conectar apoiadores e voluntários, sem depender exclusivamente de alcance digital. “Eu nunca entreguei meus votos nem minha mobilização a essas plataformas estrangeiras. Eu trabalho com pessoas de verdade”, disse.