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Quem é Mariana: mistério de Janones leva a caso de Flávio Bolsonaro

André Janones e Flávio Bolsonaro. Foto: Reprodução

O deputado federal André Janones provocou uma onda de especulações nas redes sociais ao anunciar que pretende divulgar uma informação que, segundo ele, poderia ter influenciado o resultado do primeiro turno da eleição presidencial de 2026. A declaração despertou a curiosidade dos internautas e fez uma pergunta ganhar força: “Quem é Mariana?”

“Eu tive que ter muito sangue frio pra segurar essa informação até aqui, até porque poderíamos ter perdido a eleição no primeiro turno e nem ter o segundo! Mas eu arisquei e deu certo: é chegada a hora do BRASIL saber quem é a Mariana!”, escreveu Janones nas redes.

Uma reportagem publicada em 2019 trouxe à tona o nome de Mariana Lúcia da Silva Ramos Mota, ex-assessora parlamentar do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), investigada pelo Ministério Público do Rio de Janeiro no caso das chamadas “rachadinhas”.

Mariana Lúcia desempenhou um papel na arrecadação de parte dos salários de funcionários do gabinete de Flávio Bolsonaro na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). A suspeita é de que a prática já ocorresse antes de Fabrício Queiroz assumir a função de recolher os valores, em 2008.

Documentos apresentados pelo Ministério Público à Justiça apontaram que a ex-chefe de gabinete recebeu R$ 39,4 mil de Jorge Luis de Souza, que também trabalhou como assessor parlamentar de Flávio. Os repasses teriam ocorrido entre janeiro de 2007 e março de 2008, por meio de 15 transferências bancárias.

De acordo com a investigação, o dinheiro correspondia a aproximadamente 45% da remuneração do servidor. Após a saída de Mariana Lúcia da chefia do gabinete, os depósitos passaram a ser direcionados à conta bancária de Fabrício Queiroz, apontado como operador do suposto esquema.

O Ministério Público descreveu a participação da ex-assessora no relatório encaminhado à Justiça. “Aponta-se, deste modo, que Mariana Lúcia exerceu a função de arrecadação dos valores repassados por assessores, à época em que ocupava a Chefia do Gabinete do Deputado Flávio Bolsonaro, antes da referida função ser assumida por Fabrício Queiroz”, pontua o MP.

Mariana Lúcia permaneceu como chefe de gabinete de Flávio Bolsonaro até dezembro de 2007. Na ocasião, foi substituída por Miguel Ângelo Braga Grillo e transferida para a Comissão de Defesa Civil da Alerj, onde continuou trabalhando até dezembro de 2008.

Os investigadores também identificaram movimentações financeiras consideradas suspeitas envolvendo a própria remuneração de Mariana. Conforme a Promotoria, ela teria retirado em dinheiro aproximadamente 40% dos salários recebidos durante o período em que trabalhou no gabinete. Os saques somaram cerca de R$ 134 mil.

Outro elemento mencionado na investigação foi a nomeação de Catarina Ramos Mota, filha de Mariana Lúcia, para um cargo de assessora parlamentar. Catarina também possuía participação societária na empresa Siscomp Sistema de Telefonia Computadorizada, ligada a Ana Cristina Siqueira Valle, ex-mulher de Jair Bolsonaro e ex-madrasta de Flávio.

A relação entre esses personagens foi examinada pelo Ministério Público durante as investigações sobre a movimentação de recursos no antigo gabinete do parlamentar.