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“Somos família, higiene, limpeza”: secretária de Cultura de Natal pede voto em Flávio

Iracy Gois de Azevedo
Iracy Gois de Azevedo, Secretária Municipal de Cultura de Natal.
Foto: Divulgação

A secretária de Cultura de Natal, Iracy Gois de Azevedo, defendeu o voto em Flávio Bolsonaro (PL) nesta quarta-feira (21) com a declaração: “Somos família, higiene, limpeza”. A mensagem foi publicada no Instagram e apagada após críticas.

Iracy, que também preside a Fundação Capitania das Artes (Funcarte), comentou em uma publicação do vereador e deputado estadual eleito Daniel Valença (PT) e do Comitê de Luta Popular do RN. A postagem divulgava uma decisão judicial que restringiu o uso de equipamentos de som em manifestações político-eleitorais próximas a instituições de ensino.

Valença cobrou esclarecimentos e questionou se a expressão tinha sentido fascista ou higienista. “Eu não sei o que ela está querendo dizer com higiene e limpeza. Não sei se é um comentário fascista, de que quer eliminar o adversário, então vai limpar o adversário, tirá-lo do mapa”, declarou. O parlamentar também levantou a possibilidade de a fala se referir a uma “limpeza social” contra trabalhadores e pessoas pobres.

Flávio Bolsonaro
Comentário da Secretária de Cultura de Natal (RN) em postagem do Instagram. Foto: Reprodução

A vereadora Brisa Bachi (PT) afirmou que a declaração ultrapassa a crítica política e cobrou responsabilidade da gestora. “É grave que uma pessoa à frente de uma pasta que lida com a diversidade reproduza esse tipo de discurso que alimenta o ódio, reforça a intolerância e abre espaço para mais discriminação”, disse.

A decisão mencionada na postagem foi proferida pelo desembargador eleitoral Paulo Pinheiro. Ela determina que o deputado federal General Girão (PL) e a deputada estadual eleita Camila Araújo (PL) mantenham equipamentos de som a pelo menos 200 metros de instituições de ensino durante manifestações político-eleitorais das quais participem ou às quais deem apoio.

A medida cita o episódio de segunda-feira (19), quando um estudante foi agredido em ato pró-Flávio na UFRN, em Natal, com a presença de Girão. A universidade afirmou que a mobilização ocorreu sem autorização e que o uso de som e fogos de artifício prejudicou as aulas, além de registrar danos a equipamentos públicos.