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Estátua de Jango cercada de material de Flávio é vandalizada em Porto Alegre

Escultura de João Goulart em Porto Alegre
Escultura de João Goulart na orla do Guaíba, em Porto Alegre. Foto: Reprodução

Uma escultura do ex-presidente João Goulart (1919-1976) recebeu pichações na orla do Guaíba, em Porto Alegre, na terça-feira (20). Bela Goulart, neta de Jango, condenou o vandalismo e afirmou que os responsáveis precisam responder pelo ato. Com informações de Folha de S.Paulo.

Em vídeo publicado nas redes sociais, a artista relacionou o ataque ao histórico de perseguição contra o avô após o golpe militar de 1964. “Tinta não apaga história. Tentaram apagar meu avô quando depuseram ele, quando mandaram ele para o exílio, quando impediram que o povo se despedisse. Não conseguiram”, disse.

Bela afirmou que pichar monumentos constitui crime. “Quando se ataca uma estátua, se ataca tudo aquilo que essa estátua representa”, declarou, citando democracia, justiça social, defesa dos trabalhadores e redução da desigualdade como valores associados a Jango.

Imagens do local mostram bandeiras e cartazes com a imagem do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência. A campanha do senador não respondeu até a publicação da informação.

Bandeiras da candidatura de Flávio Bolsonaro no entorno da estátua vandalizada. Reprodução

Monumento homenageia presidente derrubado em 1964

O monumento foi criado pelo escultor Otto Dumovich e inaugurado em 2024. A obra homenageia João Goulart, presidente deposto pelos militares em 1964 e enviado ao exílio.

Jango assumiu a Presidência em 1961, após a renúncia de Jânio Quadros, em meio a uma crise política que levou à adoção temporária do parlamentarismo. Ele recuperou plenos poderes em 1963, depois de um plebiscito que restabeleceu o presidencialismo.

Antes do golpe, João Goulart defendia as Reformas de Base, propostas de mudanças nos setores agrário, urbano, educacional, bancário, fiscal e eleitoral. O conjunto de medidas buscava reduzir desigualdades sociais no país.

Na publicação, Bela Goulart afirmou que o avô “representa a democracia, a justiça social, a defesa dos trabalhadores, a luta por um Brasil menos desigual e a escolha da paz, em vez da violência”.