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PF acha sala secreta com contador de dinheiro em hangar de amigo de Flávio

Willer Tomaz
O advogado Willer Tomaz. Foto: Rafaela Felicciano/Metrópoles

A Polícia Federal encontrou uma sala que considera secreta, com máquina de contar dinheiro, em um hangar no Aeroporto de Brasília utilizado por empresas de aviação do advogado Willer Tomaz, amigo do senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL). A descoberta ocorreu em agosto, segundo o g1. Os investigadores suspeitam que o espaço tenha sido usado para guardar bens e dinheiro vivo.

Segundo as imagens obtidas pela TV Globo, a entrada ficava atrás de um painel de madeira e tinha uma porta aparentemente blindada. Dentro do ambiente, os policiais encontraram prateleiras, malas e a máquina contadora de cédulas. Não havia dinheiro no local.

Os agentes chegaram à sala após receberem uma denúncia anônima sobre a existência do compartimento. O hangar havia sido alvo de busca e apreensão em uma fase da Operação Sem Desconto, que apura suspeitas de lavagem de dinheiro provenientes das fraudes contra aposentados do INSS. A investigação examina um possível esquema que teria beneficiado o senador Weverton Rocha (PDT).

Willer estava entre os alvos da operação. Na casa do advogado, os policiais encontraram outra máquina de contar dinheiro. Também foram apreendidas quatro aeronaves de empresas ligadas a ele. Na ocasião, Willer negou envolvimento nos fatos investigados.

Em nota sobre a sala, a defesa confirmou a existência do ambiente e dos equipamentos, mas afirmou que ambos integram uma estrutura destinada ao atendimento de transportadoras de valores clientes das empresas de aviação. Segundo os advogados, espaços protegidos, malotes e contadoras de cédulas são compatíveis com os protocolos de segurança exigidos para o transporte aéreo de numerário.

A defesa classificou como “fantasiosa” a suspeita de uso das instalações para guardar ou contar dinheiro de origem ilícita. Também afirmou que atribuir caráter criminoso à estrutura, sem provas, representa uma tentativa de fabricar suspeitas sobre uma atividade lícita.

Separadamente, Willer e Flávio Bolsonaro são investigados por suspeita de lavagem de dinheiro em um inquérito no Supremo Tribunal Federal (STF), sob relatoria de Alexandre de Moraes. A apuração começou no Rio Grande do Sul e envolve movimentações relacionadas ao setor de apostas. Na terça-feira (20), o senador pediu acesso à investigação sobre o advogado.

Nesse outro caso, a PF encontrou e-mails que apontariam o cadastro de Flávio como usuário master de uma conta da Alcazar Holdings, empresa de Willer registrada em Portugal. O candidato contesta a interpretação e afirma que a vinculação bancária era indevida. Os dois sustentam que mantêm apenas amizade, sem relação financeira ou societária.