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PF aponta R$ 115 mil da conta de Mario Frias para empresa de ex-subordinada

Mário Frias
O deputado federal Mário Frias (PL-SP). Foto: Zeca Ribeiro/Câmara dos Deputados

Documentos da Polícia Federal apontam que R$ 115 mil saíram da conta pessoal do deputado federal Mario Frias (PL), de São Paulo, para a Estratégia Comunicações Ltda., empresa ligada a uma ex-subordinada dele na Secretaria Especial da Cultura. Os pagamentos ocorreram entre abril de 2025 e abril de 2026, segundo a Folha de S. Paulo.

A empresa teve como sócia-administradora Jéssika Helen dos Santos, nomeada em 2021 para um cargo de direção na Cultura durante a gestão de Frias. Ela permaneceu na secretaria até junho de 2022, depois da saída do então titular da pasta, e abriu a Estratégia Comunicações em janeiro de 2023.

Além das transferências pessoais, a fornecedora recebeu R$ 80 mil para serviços de comunicação e marketing da campanha de Frias entre agosto e outubro deste ano. Os pagamentos eleitorais e contratos com recursos da cota parlamentar já haviam sido divulgados anteriormente. São origens distintas de recursos: os R$ 115 mil identificados nos dados da PF saíram da conta-corrente do deputado.

A Estratégia também recebeu cerca de R$ 775 mil de cotas parlamentares de Frias e de outros deputados do PL durante a atual legislatura. Desse conjunto, R$ 360,9 mil foram pagos pelo gabinete de Frias por serviços de divulgação da atividade parlamentar.

Outros pagamentos vieram de Coronel Assis, com R$ 247 mil; Roberta Roma, com R$ 144 mil; Marcos Pollon, com R$ 14,7 mil; e Rodrigo da Zaeli, com R$ 9 mil. Os valores correspondem a contratações com a verba destinada ao exercício dos mandatos, separadas dos pagamentos eleitorais e das transferências pessoais do deputado.

Marcos Pollon Flávio Bolsonaro
O deputado federal Marcos Pollon (PL-MS) e o senador e candidato a presidência, Flávio Bolsonaro (PL). Foto: Reprodução/Redes Sociais

Frias e a Estratégia foram alvos de busca e apreensão em 10 de setembro, em uma investigação da PF sobre suspeitas de lavagem de dinheiro, peculato e organização criminosa. Na decisão que autorizou a operação, o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), também suspendeu o direito da empresa de licitar e contratar com o poder público.

Jéssika transferiu a empresa em setembro de 2025 para Paulo Henrique Brunetti Cruz, seu advogado e atual único sócio. Desde novembro daquele ano, ela ocupa um cargo de secretária parlamentar no gabinete do deputado Cabo Gilberto Silva (PL), da Paraíba.

Houve também doações eleitorais de dois assessores de Frias: Diego Garcia Ramos, com R$ 6 mil, e Rareska Metsker, com R$ 2,5 mil. Rareska participou dos bastidores de “Dark Horse” enquanto mantinha vínculo com a Câmara. A Câmara informou, na ocasião, que secretários parlamentares podem exercer outras atividades fora do expediente.

Roberta Roma declarou a Folha que os serviços foram efetivamente prestados e que as despesas foram registradas regularmente. Pollon também afirmou que os trabalhos foram realizados, com pagamentos documentados, e disse que sua relação com a empresa se limitou aos serviços contratados.

Frias comandou a Secretaria Especial da Cultura no governo Jair Bolsonaro entre junho de 2020 e março de 2022. Segundo a Folha, o deputado articula voltar ao comando da área em um eventual governo de Flávio Bolsonaro (PL).