
A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) divulgou nesta quarta-feira (21) uma mensagem em que defende a democracia, o respeito aos resultados das urnas e o voto consciente no segundo turno das eleições. Sem citar candidatos, o Conselho Permanente da entidade pede que os brasileiros considerem a trajetória dos concorrentes e seus compromissos com os direitos da população. O documento termina com uma invocação a Nossa Senhora Aparecida, Padroeira do Brasil.
“Reafirmamos a importância da defesa da Constituição, do Estado Democrático de Direito e do respeito aos resultados legítimos das urnas, expressão da liberdade de escolher os que governam”, afirmam os bispos. A mensagem também apresenta trabalho digno, alimentação, moradia, saúde, educação e segurança de qualidade como necessidades do país, ao lado da proteção ambiental, dos direitos humanos e da paz.
A CNBB condena tentativas de constranger o eleitorado. “O voto é livre e secreto. Ameaçar ou pressionar eleitores bem como negociar votos são práticas inadmissíveis”, ressalta. Para a entidade, a responsabilidade dos cidadãos continua depois da eleição, por meio da participação, da fiscalização e da cobrança aos governantes.
Ver esse post no Instagram
O texto orienta que a escolha nas urnas leve em conta o histórico dos candidatos. “Cada eleitor(a) é convidado(a) a considerar a trajetória dos candidatos, suas práticas e seus compromissos com a democracia e com as condições de vida do povo”, afirma. Os bispos também defendem informação confiável, liberdade de expressão e proteção para quem denuncia injustiças.
Ao encerrar a mensagem, o Conselho Permanente recorre à padroeira: “Que Nossa Senhora Aparecida, Padroeira do Brasil, interceda por nós e ajude-nos a vencer a indiferença e a construir uma convivência fundada na verdade, na fraternidade e na paz”.
A referência ocorre em uma campanha marcada pela repercussão de ataques à devoção católica feitos pelo bispo JB Carvalho, líder religioso ligado a Flávio Bolsonaro (PL). Conforme reportagem do DCM, Carvalho defendeu no livro “A Bomba”, publicado em 2001, que o Brasil abandonasse o reconhecimento de Aparecida como padroeira e questionou a legalidade do feriado de 12 de outubro. Flávio e sua mulher foram batizados na igreja fundada pelo religioso em 2024.
Em setembro, a própria CNBB rebateu uma acusação de Flávio de que pessoas da entidade teriam ajudado a espalhar informações falsas sobre a padroeira. O candidato não apresentou provas. A conferência negou participação e afirmou que a mentira não se combate com outra mentira. Os ataques de Carvalho estão documentados, mas não demonstram que Flávio tenha apresentado ou retomado uma proposta para retirar o título de Nossa Senhora — intenção que o senador nega. A mensagem desta quarta não menciona essa controvérsia nem declara apoio a qualquer candidatura.