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Mario Sabino, do Metrópoles, mente para manter bolsonarismo motivado até o dia eleição

Mario Sabino: mentiras e cabelos inversamente proporcionais (crédito: arquivo pessoal)

O jornalista Mario Sabino, colunista do portal Metrópoles e ex-redator-chefe da revista Veja (2004-2011), publicou na última quarta-feira (21) um artigo cuja primeira afirmação, que faz as vezes de título, é: “O único instituto que acertou no 1º turno dá vitória folgada de Flávio“. Ele se refere ao instituto Gerp Mercadologia e às suas pesquisas sobre a eleição presidencial deste ano.

Ocorre, porém, que é mentira o que afirma Mario Sabino. O instituto citado não acertou o resultado da eleição presidencial no primeiro turno, tanto menos foi o único a fazê-lo.

O Gerp Mercadologia, em pesquisa divulgada no dia 2 deste mês, previu que o resultado da eleição em 1º turno seria de 46% a 44% em favor do candidato da extrema direita. Já as urnas apresentaram um placar de 47,03% dos votos para Flávio Bolsonaro (PL) e 45,16% para Lula (PT).

Mario Sabino descompromissa-se da verdade para afirmar o que não ocorreu (fonte: Metrópoles)

Seria possível, entretanto, argumentar que a diferença entre o resultado oficial e a previsão do Gerp é insignificante, o que tornaria Sabino apenas impreciso, e não mentiroso. Mas não, não seria possível, na verdade.

É que a mentira do jornalista foi dupla: ele não apenas desinformou que o Gerp acertou o resultado do primeiro turno, ele disse também que este foi o ÚNICO instituto a acertar o resultado do primeiro turno.

Na realidade, o instituto Veritá chegou bem mais próximo de cravar o resultado das urnas no 1º turno. Sua pesquisa apontou 47% x 45% para o bolsonarista, esta sim uma diferença insignificante em relação aos números reais, de 47,03% a 45,16%. Veja quadro abaixo.

Crédito: Congresso em Foco

Mesmo os mais frequentes mentirosos, contudo, costumam ter motivo para proferirem suas mentiras. Por que, então, mentiu Mario Sabino? Para se ter a resposta exata a essa pergunta, só entrando em sua cabeçorra. É possivel, todavia, seguir as pistas que o próprio mendaz esparrama em seu referido artigo, e assim supor com responsabilidade.

Abaixo da mentira que ocupa o lugar de título, o texto de Sabino discorre que o tal instituto Gerp, ainda que talvez desacreditado ou desconhecido pela maioria, foi o que mais se aproximou de acertar o resultado da eleição presidencial no primeiro turno (afirmação mentirosa, como visto acima).

Logo em seguida, Sabino traz a última pesquisa do Instituto Gerp, que mostra um placar eleitoral de 53% a 47% para o filho de Jair Bolsonaro. Trata-se de um resultado distante dos que vêm sendo aferidos pelos demais institutos de pesquisa, que sem exceção apontam um empate técnico entre os dois candidatos.

O artigo se encerra com o embusteiro sugerindo que o Gerp – único instituto a atualmente apontar a vitória de Flávio, fora da margem de erro – poderá novamente repetir o feito alcançado no primeiro turno, o de acertar o resultado da eleição enquanto todos os seus concorrentes se equivocam.

É nesse momento que a motivação da mentira de Sabino vem à luz. É que o instituto Veritá, este sim o que mais se aproximou de cravar o resultado das urnas no 1º turno (veja tabela acima), em sua mais recente pesquisa, divulgada na última quarta-feira (21), registra empate técnico entre os dois candidatos, e não vitória da boçalidade acima da margem de erro.

Assim – imagina-se a cabeçorra atinando – se os fatos não refletem que o instituto de pesquisa que mais me agrada foi o que mais acertou no 1º turno, “desto schlimmer für die Tatsachen”, como eles dizem lá.