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O debate. Pode ser a última eleição! Por Kakay

Arte criada por Kakay em IA

“Isso de ser exatamente o que se é ainda vai nos levar além.”
Paulo Leminski

Em 25 de agosto de 2016, aconteceu na Band o debate entre os candidatos à prefeitura do Rio de Janeiro. Naquela ocasião, o candidato Flávio Bolsonaro desmaiou e, diz a lenda, fez ali mesmo, nas calças, suas necessidades fisiológicas. A deputada Jandira Feghali, que é médica e participava do debate, imediatamente foi ajudá-lo. O pai do candidato, o então deputado Jair Bolsonaro, que estava na plateia, manifestou-se: “Comunista não põe a mão no meu filho!”. A observação da Jandira foi precisa: “Eu fui atender como médica e o pai dele disse que não precisava dos meus cuidados. A solidariedade não faz parte deste grupo fascista.”

No debate da Band com o Lula, Flávio demonstrou algo que venho apontando há tempos: é impossível dialogar com quem não tem compromisso com a verdade, com quem não tem conteúdo nem limites éticos. Debater pressupõe a troca de ideias, partindo do pressuposto de que o interlocutor tenha ideias. Não é o caso do Flávio. O candidato não respondeu de forma assertiva a nenhuma pergunta. Falava rigorosamente o que sabia que seu público queria ouvir. E agiu de forma lamentável, imitando seu ídolo e chefe, Donald Trump, no debate com a Hillary Clinton: portava-se atrás do Lula enquanto ele falava, fazendo trejeitos e gestos coordenados pelo seu instrutor de abusos, Pablo Marçal. Vestiu um personagem que conhece bem: o de fantasma.

Pablo Marçal e Flávio Bolsonaro. Foto: reprodução

Lastimável que a coordenação do debate não tenha interferido. A postura do candidato foi de moleque e de desrespeito com os telespectadores. Mas é claro que isso é uma estratégia pensada e deliberada pela campanha. Afinal, o desrespeito é uma característica do bolsonarismo. Na realidade, é demais exigir que uma pessoa que não tem capacidade de argumentar, que não tem programa e que mente desavergonhadamente participe de um debate sério.

Debater pressupõe ter ideias definidas e estar disposto a defendê-las, até mesmo ceder em algum ponto, se convencido. Mas é de conhecimento geral que o bolsonarista raiz, como o candidato, não apresenta conteúdo que contribua para o debate democrático. Quem se construiu na mentira não tem como participar de uma discussão sobre o destino do país.

Esse é o drama a ser enfrentado no domingo, 25 de outubro: dia da eleição mais importante da história do Brasil. De um lado, um candidato reconhecidamente democrático, que já governou o país por 3 mandatos dentro das regras constitucionais. Que tem respeito internacional angariado pela sua postura de governante. Que já apresentou dezenas de programas ao povo brasileiro. De outro, um candidato que já disse não ter compromisso com a estabilidade democrática. Que vai pôr fim a uma série de conquistas sociais.

Enfim, o que está em jogo nas eleições seguramente não é uma discussão sobre esquerda e direita. É a civilização contra a barbárie. Pense no futuro do Brasil e vamos às urnas. Pode ser nossa última eleição. É hora de virar e acreditar na Democracia. Depende de cada um de nós.

Remeto-me ao velho Bertolt Brecht:

“Pelo que esperam?
Que os surdos se deixem convencer
É que os insaciáveis
Lhes devolvam algo?
Os lobos os alimentarão, em vez de devorá-los!
Por amizade
Os tigres convidarão
A lhes arrancarem os dentes!
É por isso que esperam!”

Originalmente em O Dia