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Jornalista do Guardian alerta para “destruição ambiental” em eventual governo de Flávio

Flávio Bolsonaro durante campanha. Foto: Lucas Landau/AP

Em coluna publicada nesta quinta-feira (21) no jornal britânico The Guardian, George Monbiot alerta para o risco de Flávio Bolsonaro, descrito como “a cara do pai”, representar a continuidade de uma política de destruição ambiental no Brasil. Ele lembra que, sob Jair Bolsonaro, o desmatamento cresceu 59% e os ataques a indígenas e defensores da floresta dispararam.

A ideologia da extrema-direita é resumida como “bois, Bíblia e balas”, e Flávio, se eleito, pode ampliar a destruição para a Mata Atlântica, o Pantanal, os Pampas e o Cerrado. Monbiot critica Trump por tratar a América Latina como butim e alerta que a única defesa contra a “credulidade suicida” é a conscientização sobre as relações entre exploradores e explorados. Leia trechos do texto: 

Fisicamente e politicamente, Flávio Bolsonaro é a cara de seu pai, Jair, preso por conspirar para dar um golpe de Estado. Quando Jair Bolsonaro era presidente do Brasil, parecia enxergar a destruição ambiental como uma espécie de dever sagrado.  […] As formas mais brutais de extrativismo, independentemente de seus custos ou de como poderiam impedir diferentes tipos de progresso, eram uma questão de política de governo.

[…]

Jair Bolsonaro olhava com nostalgia para a ditadura militar de 1964 a 1985, que contou com o apoio ativo do governo dos Estados Unidos. Naquele período, os oligarcas locais podiam fazer o que bem entendessem, enquanto aqueles que se opunham a eles eram torturados e desapareciam. […]

Se vencer o segundo turno nesta semana, a onda desenfreada de destruição promovida por seus apoiadores, estimulada pelas políticas do governo, ameaçará não apenas a Amazônia, mas também a Mata Atlântica, no sul do país, as áreas úmidas do Pantanal, os campos dos Pampas e os ecossistemas de savana do Cerrado. É a política transformada em uma orgia de destruição. Vamos acabar com os sistemas que sustentam nossa vida — isso vai ensinar uma lição aos liberais!

Trump vem utilizando todos os meios possíveis para ajudar Bolsonaro a vencer. Ele dá a impressão de enxergar a América Latina da mesma forma que os conquistadores espanhóis: um imenso monte de riquezas, pronto para ser saqueado.

[…]

Coluna sobre Flávio Bolsonaro no The Guardian. Foto: reprodução

O que o bolsonarismo pode nos ensinar? Primeiro, que aparentemente não há limites para a perversidade da classe dominante, que prefere não deixar nada para ser compartilhado a ceder qualquer fração do planeta aos pobres.

Segundo, que essa classe dispõe de todas as ferramentas — redes sociais, mídia tradicional, púlpitos religiosos e armas — necessárias para fazer sua perversidade parecer algo de bom senso ou, pelo menos, irresistível, à medida que a força é empregada.

[…]

Caso contrário, tudo o que há de bom, confiante e esperançoso na humanidade poderá ser mobilizado para uma guerra contra todos e contra tudo.

[…]

Expandir as fronteiras da destruição, mesmo ao ponto de provocar a extinção da humanidade, passou a ser motivo de orgulho. Os quatro cavaleiros do Apocalipse cavalgam novamente, não mais vestidos com mantos, mas usando chapéus de caubói e camisas jeans, conduzindo seus rebanhos à frente.