
O deputado federal André Janones (Rede-MG) mobilizou nesta quinta-feira (22) os integrantes do canal de WhatsApp Exército do Lula para recuperar um episódio envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro e o ex-deputado Talvane Albuquerque, condenado por ordenar o assassinato de uma colega parlamentar e de outras três pessoas em Alagoas.
Janones recomendou que os seguidores digitassem no Google a expressão “Bolsonaro Talvane Albuquerque”. A busca ganhou repercussão nas redes sociais e chegou aos assuntos mais comentados do X, trazendo novamente à discussão um discurso de Bolsonaro contra a cassação do mandato de Talvane, em abril de 1999.
O caso remonta à chamada Chacina da Gruta, ocorrida em 16 de dezembro de 1998, em Maceió. A deputada federal Ceci Cunha (PSDB-AL) foi assassinada a tiros ao lado do marido, Juvenal Cunha, e dos familiares Iran Carlos Maranhão e Ítala Maranhão. O crime aconteceu poucas horas depois de Ceci receber o diploma eleitoral pela reeleição à Câmara dos Deputados.
Talvane Albuquerque, que havia disputado a eleição como primeiro suplente da coligação, assumiu a cadeira deixada pela parlamentar assassinada. As investigações apontaram que ele havia contratado pistoleiros para executar Ceci e, assim, garantir sua entrada na Câmara.
Em janeiro de 2012, a Justiça Federal de Alagoas condenou Talvane a 103 anos e quatro meses de prisão pelos quatro assassinatos. Outros quatro envolvidos também foram condenados. Em 2021, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) revisou o cálculo da pena, reduzindo-a para 92 anos, nove meses e 27 dias, sem alterar a condenação pelos homicídios.

Foto: PSDB
Bolsonaro discursou contra a cassação de Talvane
Em 7 de abril de 1999, quando Talvane ainda era investigado pelo crime, a Câmara dos Deputados analisou a perda de seu mandato por quebra de decoro parlamentar. Jair Bolsonaro, então deputado federal pelo PPB do Rio de Janeiro, manifestou-se contra a cassação.
Na tribuna, Bolsonaro argumentou que os parlamentares poderiam cometer uma injustiça caso Talvane fosse inocentado posteriormente. Para justificar sua posição, afirmou que “amanhã qualquer um de nós pode estar no lugar dele”.
O processo parlamentar examinava os contatos mantidos por Talvane com Maurício Guedes Novais, conhecido como Chapéu de Couro, apontado como um dos envolvidos na execução da chacina.
Durante o discurso, Bolsonaro questionou a utilização dessas relações como fundamento para a cassação. “Mas quem aqui nunca teve contato ou conversou com um marginal?”, perguntou aos colegas.
O então deputado também procurou afastar a interpretação de que estivesse defendendo os assassinatos. “Não estou defendendo um marginal nem quero acusar um inocente de absolutamente nada”, declarou.
Apesar da manifestação de Bolsonaro, a Câmara cassou Talvane Albuquerque por 427 votos favoráveis, 29 contrários, 21 abstenções e um voto em branco. Como a votação foi secreta, não há registro nominal que permita identificar oficialmente o voto de Bolsonaro.
A condenação criminal de Talvane ocorreu 13 anos depois da cassação, quando a Justiça reconheceu sua responsabilidade como mandante dos quatro homicídios.
Ao recuperar o episódio nesta quinta-feira, Janones levou novamente às redes sociais as declarações feitas por Bolsonaro durante a votação de 1999. A mobilização ocorre nos últimos dias da campanha presidencial, antes do segundo turno marcado para domingo (25), disputado por Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL).