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Como Centrão e esquerda podem isolar bolsonaristas na Câmara

Hugo Motta em meio a bolsonaristas na Câmara. Foto: Vinícius Schmidt/Metrópoles

O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), recebeu apoio de PSB, PDT e PV para sua reeleição e articula um bloco que pode reunir ao menos 17 partidos. A aliança tende a se tornar a maior da Casa e ameaça retirar do PL a prioridade na escolha de comissões e vagas da Mesa Diretora, segundo o g1.

O grupo já conta com PSD, Republicanos, MDB, Podemos, PSB, PDT e as federações União Brasil-PP, PSDB-Cidadania e PRD-Solidariedade. O PT sinalizou disposição de apoiar Motta, mas deve tomar a decisão após as eleições presidenciais; a federação PSOL-Rede ainda discutirá sua posição.

As regras da Câmara dão prioridade aos maiores blocos para escolher presidências de comissões e postos da Mesa Diretora. Sem blocos, o tamanho das bancadas partidárias define a ordem, cenário que favoreceria o PL, dono de 121 cadeiras e da maior bancada individual da Casa.

Se o bloco de Motta se formalizar nos moldes projetados por técnicos do Congresso, os 15 primeiros pedidos de comissões ficarão com partidos do Centrão e com o PT. O PL cairia para a 16ª escolha, embora ainda mantenha direito a comandar sete colegiados.

PL pode perder disputa pela CCJ e por vagas da Mesa

Nikolas Ferreira. Foto: Agência Câmara

A mudança afeta diretamente a disputa pela Comissão de Constituição e Justiça, considerada a mais importante da Câmara. O deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) já citou a presidência da CCJ como uma de suas ambições, mas a nova ordem de escolhas pode levar o partido a colegiados menos cobiçados.

A proporcionalidade também vale para a Mesa Diretora, formada pela presidência, duas vice-presidências, quatro secretarias e quatro suplências. Um bloco amplo pode concentrar todas as vagas distribuídas por esse critério, deixando o PL sem espaço mesmo com sua bancada numerosa.

Integrantes do PL avaliam que a articulação pode pressionar o partido a aderir ao bloco. Dentro da aliança, a legenda seria a maior sigla e preservaria preferência nas indicações; fora dela, enfrentaria a perda de posições estratégicas nas comissões e na Mesa.

O PL ainda não decidiu se entrará no grupo de Motta e concentra suas articulações na presidência do Senado, onde pretende desafiar Davi Alcolumbre (União-AP). Aliados de Motta afirmam que ele negocia relatorias, cargos na Mesa, emendas e a próxima vaga aberta no Tribunal de Contas da União para consolidar apoio.