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A relação de Vorcaro com quadro de R$ 250 milhões de Tarsila do Amaral que sumiu

Daniel Vorcaro. Foto: Reprodução

O banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, recebeu em abril de 2024 uma oferta para comprar “O Sol Poente”, de Tarsila do Amaral, por R$ 120 milhões, segundo a BBC Brasil. A Justiça considera a pintura desaparecida, e a obra integra um espólio cujo inventário ainda não terminou, o que impede sua venda sem autorização judicial.

Mensagens extraídas do WhatsApp de Vorcaro pela Polícia Federal mostram que a designer de interiores Luciana Gontijo apresentou o quadro como um “superinvestimento”. Ela informou que a compra exigiria sigilo por ao menos cinco anos e afirmou que a peça havia sido avaliada em R$ 250 milhões pelas autoridades.

Gontijo trabalhava na construção e na decoração de imóveis de Vorcaro e atuava como interlocutora do banqueiro com artistas e galerias. A mensagem dizia que a obra só poderia ser oferecida a ele e a outra pessoa no Brasil, que teria apresentado uma proposta de R$ 80 milhões.

Vorcaro não concluiu a compra. Meses depois, “O Sol Poente” surgiu ao fundo de um vídeo publicado e posteriormente apagado por Daniela Fagundes, então mulher do ex-CEO do Itaú Roberto Setúbal; o quadro estava apoiado no chão da casa do casal. Setúbal afirmou ter devolvido a pintura a quem a ofereceu, sem revelar a identidade da pessoa.

Policiais seguram o quadro O Sol Poente após recuperá-lo de furto em 2022, antes de a obra ser oferecida a Vorcaro. Foto: Reuters

Disputa pelo espólio e buscas pelas pinturas

“O Sol Poente” pertencia ao marchand Jean Boghici, que morreu em 2015. Após a morte dele, a viúva Geneviève Boghici e as filhas Sabine e Muriel ficaram com o acervo, que também reúne “O Sono” e “Pont Neuf”, duas outras obras de Tarsila consideradas desaparecidas pelas autoridades.

O acervo esteve no centro de um caso revelado em 2022, quando Sabine Boghici e Rosa Stanesco foram acusadas de enganar Geneviève e retirar obras da residência da família sob o pretexto de submetê-las a rituais espirituais.

A polícia recuperou pinturas escondidas em imóveis de pessoas ligadas a Stanesco, enquanto Geneviève relatou ter permanecido em cárcere privado por cerca de um ano.

Em junho de 2025, a juíza Marisa Simões Mattos Passos apontou indícios de má gestão patrimonial, movimentações financeiras suspeitas, venda de obras sem autorização e bens fora do inventário. A decisão bloqueou contas e aplicações de Geneviève, que tinham saldo de R$ 10.185,52, e nomeou o advogado Fábio Picanço como inventariante independente.

Oficiais de Justiça fizeram diligências em oito endereços ligados à família em agosto de 2025, mas não encontraram os quadros, Geneviève ou Muriel. No fim daquele ano, Geneviève afirmou que mantinha “O Sol Poente” em local seguro, mas não revelou onde estava a pintura; até a conclusão do inventário e da partilha, a venda de qualquer obra do espólio depende de autorização judicial.