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Os encontros e pagamentos que complicam Kassio no caso Master

Kassio Nunes Marques e Daniel Vorcaro
Kassio Nunes Marques e o banqueiro Daniel Vorcaro. Foto: Reprodução

Uma reportagem da revista piauí relata que reuniões entre o banqueiro Daniel Vorcaro, pessoas próximas ao ministro Kassio Nunes Marques e pagamentos a uma consultoria ligada ao filho do magistrado ocorreram antes de um voto favorável aos interesses do Banco Master no Supremo Tribunal Federal (STF). O ministro nega ter pedido ou recebido favores e afirma que nunca votou a favor de Vorcaro.

Segundo a reportagem, o desembargador Newton Ramos, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1), intermediou encontros de Vorcaro com um “amigo”, em referência que as mensagens analisadas associam a Nunes Marques. Em 17 de junho de 2024, Ramos enviou ao banqueiro os contatos salvos como “Kassio Marques” e “Kevin Marques”, filho do ministro.

Três dias depois, Kevin se reuniu na sede do Master, em São Paulo, acompanhado de Francisco Craveiro de Carvalho Junior, responsável pela Consult. A piauí afirma que a Consult recebeu R$ 6,6 milhões do banco entre agosto de 2024 e julho de 2025 e repassou ao menos R$ 282 mil a Kevin.

Kevin declarou que nunca prestou serviços ao Master nem recebeu dinheiro de Vorcaro. Ele disse que os valores recebidos da Consult remuneraram serviços jurídicos especializados, pagos em dez parcelas e sem relação com clientes da empresa.

Kevin Marques, filho de Kássio Nunes Marques. Foto: Reprodução

Os encontros e transferências ocorreram durante o julgamento do caso da Destilaria Alcídia na Segunda Turma do STF. O processo discutia indenização à usina por uma política de tabelamento de preços do setor sucroalcooleiro nos anos 1980, tema que poderia afetar a carteira de precatórios adquirida pelo Master.

Nunes Marques havia se declarado impedido de julgar a causa por ter atuado no processo quando integrava o TRF1. Em março de 2024, porém, afastou o impedimento, atribuindo o registro a um “equívoco da assessoria” e afirmando estar habilitado a votar.

Em outubro daquele ano, o ministro votou a favor da Destilaria Alcídia e desempatou o julgamento em 3 a 2. Após o resultado, Vorcaro enviou a um contato identificado como “Diretor Paulo Sergio Bacen” a mensagem: “Ganhamos STF!”. Nunes Marques sustenta que a Segunda Turma reconheceu por unanimidade a inexistência de impedimento e que o caso não tratava do Master.

A reportagem também descreve pedidos de hospedagem, viagens, ingressos e outros benefícios feitos por Newton Ramos a Vorcaro, alguns em nome do “amigo”. Ramos afirmou que suas conversas com o banqueiro tinham caráter privado, sem vínculo com a atividade jurisdicional, e disse que a lei o impede de atuar em causas patrocinadas pelo escritório de sua mulher e de seu filho.

Camilla Ramos, mulher do desembargador, e o escritório Queiroga, Vieira, Queiroz & Ramos confirmaram contrato profissional com o Master desde 2024. A banca declarou que não atuou no processo da Destilaria Alcídia, que Newton Ramos não integrava os colegiados das ações no TRF1 e que ainda não recebeu honorários de êxito.

Em setembro, o corregedor nacional de Justiça, Benedito Gonçalves, cancelou R$ 4,7 bilhões em requisições de pagamento de usinas cujos precatórios interessavam ao Master. Newton Ramos entrou na mira da Corregedoria e segue no cargo. Nunes Marques preside o Tribunal Superior Eleitoral e relata no STF um pedido de instalação da CPI do Master, que aguarda despacho desde março.