
Duas mulheres acusaram policiais militares de coagi-las a retirar camisetas de apoio ao presidente Lula (PT), sob ameaça de prisão, durante uma abordagem na Comunidade Vitória Pantanal, em Piracicaba, no interior de São Paulo. A Polícia Civil registrou a denúncia como ameaça, constrangimento ilegal e abuso de autoridade.
As mulheres relataram que nove PMs as abordaram por volta das 9h de 21 de outubro, quando elas saíam da casa de uma delas. Segundo o boletim de ocorrência, os agentes entraram no imóvel para procurar outras camisetas iguais às que as duas usavam.
No interior da residência, os policiais teriam recolhido duas peças. Uma das vítimas afirmou que os agentes exigiram que ela tirasse a camiseta que vestia e a entregasse à equipe.
A dupla também declarou ter visto os PMs obrigarem jovens rendidos na comunidade a vestir camisetas de apoio a Lula. Dois homens acabaram presos em flagrante, e um adolescente foi apreendido sob suspeita de tráfico de drogas e porte ilegal de arma.

A Delegacia Seccional de Piracicaba registrou ainda suspeita de abuso de autoridade por constrangimento sob grave ameaça e por entrada em imóvel alheio. O Comando de Policiamento de Área 9, responsável pela região, abriu uma investigação preliminar sobre possíveis irregularidades na ação.
A Ouvidoria da Polícia do Estado de São Paulo enviou ofício à Corregedoria da Polícia Militar pedindo o afastamento dos agentes enquanto as denúncias são apuradas. O Ministério da Justiça e Segurança Pública também cobrou explicações do governo paulista sobre a conduta dos policiais.
Imagens da ocorrência foram divulgadas no Instagram pelo senador Guilherme Derrite (PP). O PT apresentou denúncia à Procuradoria-Geral Eleitoral contra ele, acusando-o de “manipulação política” e “abuso de autoridade”.
A defesa dos policiais afirmou que a intervenção começou após denúncia ao 190 sobre três pessoas que comercializariam drogas, uma delas armada. Os advogados disseram que a ação apreendeu um revólver calibre .32 com numeração suprimida, 160 porções de cocaína e R$ 340, e repudiaram “qualquer tentativa de politização do caso”.