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Flávio debocha de dedo amputado de Lula durante debate na Globo

O senador Flávio Bolsonaro (PL) fez uma declaração grosseira sobre a deficiência física do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) durante o debate presidencial da TV Globo, nesta sexta-feira (23). Ao criticar a política econômica do governo, o candidato bolsonarista fez referência aos nove dedos das mãos do petista, que perdeu parte de um dedo em um acidente de trabalho.

“Não adianta nada o salário mínimo ser de R$ 1.621 se você dá com uma mão e tira com os nove dedos!”, afirmou Flávio durante o confronto. A frase transformou uma discussão sobre o poder de compra dos trabalhadores em um ataque pessoal à condição física do presidente.

A referência aos nove dedos remete a um acidente sofrido por Lula em 1964, quando ele tinha 18 anos e trabalhava como torneiro mecânico em uma fábrica de parafusos em São Paulo. Durante o expediente, uma prensa atingiu sua mão esquerda, provocando o esmagamento do dedo mínimo.

O ferimento levou à amputação de parte do dedo, deixando uma marca permanente no então jovem operário. Na época, Lula trabalhava na indústria metalúrgica, setor em que posteriormente iniciou sua trajetória sindical e política, até chegar à presidência do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo e Diadema.

O acidente ocorreu em um período em que as condições de segurança nas fábricas brasileiras eram precárias e os trabalhadores estavam frequentemente expostos a máquinas perigosas. A história da amputação tornou-se conhecida nacionalmente com a ascensão política de Lula, que passou a ser identificado também como o presidente de nove dedos.

O confronto foi realizado em um momento de disputa acirrada, depois de a pesquisa Datafolha divulgada na quinta-feira (22) apontar empate de 50% a 50% entre Lula e Flávio nos votos válidos.

Ao mencionar os nove dedos do presidente, Flávio levou para o debate uma característica física diretamente ligada à trajetória de Lula como trabalhador industrial. O acidente que provocou a amputação ocorreu mais de seis décadas antes do confronto eleitoral e permanece como parte da história pessoal e profissional do petista.