
O senador Flávio Bolsonaro (PL) apresentou informações falsas e fora de contexto sobre o financiamento de “Dark Horse”, seu apoio a mudanças no rastreamento de munições e o patrimônio de Lula (PT) na reta final do debate da TV Globo, nesta sexta-feira (23). O levantamento de checagens também apontou distorções sobre a disputa envolvendo Richarlison e declarações atribuídas ao presidente.
Ao defender o financiamento do filme sobre Jair Bolsonaro, Flávio afirmou que um relatório da Polícia Federal demonstrava “que o dinheiro foi todo investido no próprio filme”. O documento citado na checagem, porém, aponta dúvidas sobre a destinação dos recursos e a necessidade de aprofundar a investigação, sem concluir que todo o valor foi empregado na produção.
A PF identificou uma “divergência contábil severa” entre os recursos enviados ao exterior e os que retornaram ao Brasil. Segundo as informações reunidas, mais de US$ 12 milhões foram remetidos, enquanto cerca de US$ 2,8 milhões voltaram ao país. A diferença exige esclarecimento e não permite afirmar que a aplicação integral no filme foi comprovada.
Munições e acusações sobre Vorcaro
Questionado sobre o rastreamento de munições, Flávio negou a existência da proposta e tentou se desvincular dela por ter surgido na Câmara. O PL 3.723/2019, entretanto, chegou ao Senado com dispositivos que retiravam exigências de identificação de munições. Registros citados na checagem mostram que o senador defendeu o texto, inclusive em discussão na Comissão de Constituição e Justiça em março de 2022.
Flávio também afirmou que um documentário sobre Lula recebeu R$ 30 milhões “por fora” e atribuiu ao áudio de Daniel Vorcaro a informação de que o dinheiro teria ido para o Instituto Lula. Conforme o levantamento, o áudio não menciona esse valor nem o instituto. A cifra aparece em um texto atribuído ao banqueiro, e a PF informou, em 9 de outubro, que ele não havia prestado depoimento nem apresentado documento com aquele conteúdo. O produtor do documentário nega o recebimento.
Sobre o suposto presente de uma garrafa de uísque, o senador tratou como admissão uma resposta condicional de Lula. “Se me deu uísque, já bebi. Não sei se me deu, mas se deu já bebi”, foi a declaração reproduzida na checagem. Mensagens sobre a encomenda da bebida não demonstram, por si só, quando ou como teria ocorrido a entrega.

Patrimônio de Lula e disputa de Richarlison
O candidato disse que Lula não declara seus bens e que retirou tudo do próprio nome. A declaração patrimonial apresentada à Justiça Eleitoral em 2026, porém, registra aproximadamente R$ 4,7 milhões em bens. Flávio também invocou condenações da Lava Jato sem informar que foram anuladas pelo STF em 2021.
Ao abordar o sítio de Atibaia, o senador afirmou que o imóvel estava em nome da Odebrecht. Segundo os registros citados no levantamento, a propriedade estava registrada em nome de Fernando Bittar e Jonas Suassuna. A acusação da Lava Jato tratava do pagamento de reformas por empreiteiras, não da titularidade do sítio pela Odebrecht.
Na disputa pela casa utilizada por Richarlison em Angra dos Reis, Flávio apresentou decisões favoráveis à empresa ligada a Willer Tomaz como se encerrassem todas as questões do caso. O levantamento distingue a discussão judicial sobre a posse das demais controvérsias: o jogador mantém cobranças, e a PF passou a apurar a disputa. Uma decisão sobre a posse não equivale à conclusão de uma investigação criminal.
Flávio ainda prometeu “criar a Casa da Mulher Brasileira”, embora o programa federal exista desde 2013. A proposta de ampliar a rede pode ser apresentada como compromisso de campanha, mas a fala omite que o serviço já funciona e reúne atendimento especializado a mulheres em situação de violência.