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Flávio se apresenta como ‘estadista’, mas Lula o desmascara como miliciano. Por Moisés Mendes

Flávio Bolsonaro Lula
O candidato a presidência Flávio Bolsonaro (PL) e o presidente e candidato a reeleição Lula (PT). Foto: Agustin Marcarian/Reuters

Lula pode ter sido cordial demais com o Flávio Bolsonaro harmonizado, apresentado em sua nova versão como ‘estadista’ pela Folha de S.Paulo, no debate na Globo. O sujeito puxou a conversa para um lero-lero propositivo e fez bom uso de pelo menos dois blocos do debate.

O tom ameno, vago e circular só foi quebrado quando Lula respondeu ao bolsonarista, que o tratou com preconceito por não ter um dedo: “Não vou permitir que um miliciano me chame de nove dedos”.

E ao final, nas despedidas, Lula reafirmou a definição, que já havia usado no debate na Bandeirantes:

“Eu queria agradecer e pedir o voto de vocês no domingo, porque ou a gente mantém a democracia funcionando ou a gente vai ter um miliciano governando este país, dentro do Palácio do Planalto, o que não é bom pra ninguém”.

O Flávio da Bandeirantes desaprumou Lula pelas baixarias. Este da Globo desorientou, no começo, as falas do presidente pela capacidade de representar, por um bom tempo, um personagem de fino trato que não existe.

Lula demorou a partir para o ataque e parece que se segurou demais, para não exagerar, quando abordou o assassinato da menina Ana Clara, de cinco anos, no Rio, em 2021, por um PM que depois foi defendido pelo advogado Flávio Bolsonaro.

Lula observou que a mãe da criança estava no plateia, assim como a irmã de Marielle. Queria conectar Flávio à violência policial e às milícias.

Mas, cuidadoso, apenas registrou as presenças, sem conseguir passar o que é uma marca do seu talento. Lula não criou empatia e não emocionou. Poderia ter confrontado mais a frieza do bolsonarista com o drama daquela mãe.

A grande imprensa se diverte com as análises sobre quem venceu o debate, o que que só pode ter alguma medida real a partir de pesquisas. E mesmo as pesquisas são coisas gasosas.

O que ficou do bloco final é o que talvez importe. Flávio foi acossado pela insistência de Lula em saber o que ele estava fazendo numa lancha com vendedores da vacina Covaxin e “com outras pessoas”, na pandemia, em 2021.

As outras pessoas, como a revista Piauí informou, eram garotas de programa pagas por larápios que tentavam vender vacina faturada ao governo Bolsonaro. O sujeito também demonstrou insegurança quando Lula pediu várias vezes que explicasse suas relações com Daniel Vorcaro.

No fim, o Flávio estadista e propositivo, que levou falas decoradas sobre generalidades, terminou mesmo como miliciano.