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Indecisos percebem que Flávio Bolsonaro só muda de discurso para tentar agradar eleitor

Flávio Bolsonaro durante debate na Globo – Foto: Reprodução

 

Eleitores indecisos que acompanharam o debate presidencial da TV Globo, nesta sexta-feira (23), identificaram mudanças de posicionamento do senador Flávio Bolsonaro (PL) em temas sociais e trabalhistas. A avaliação surgiu em dez grupos de pesquisa qualitativa que assistiram ao confronto entre o candidato bolsonarista e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a dois dias do segundo turno das eleições presidenciais.

Os participantes afirmaram que Flávio parecia adaptar suas opiniões para agradar ao eleitorado. As principais observações envolveram três assuntos discutidos durante o terceiro bloco do programa: reajuste das aposentadorias, aumento real do salário mínimo, acima da inflação, e direito à licença-maternidade. Lula questionou o adversário sobre esses temas durante o confronto.

A estratégia do presidente teve repercussão entre os participantes que ainda não haviam definido o voto e aqueles que admitiam mudar de candidato. De acordo com o acompanhamento dos grupos, Lula obteve avaliações mais favoráveis no terceiro bloco, enquanto Flávio enfrentou questionamentos sobre a consistência de suas respostas.

Lula e Flávio Bolsonaro durante as sabatinas da TV Globo – Foto: Ricardo Stuckert/Manoella Mello/TV Globo

O coordenador da pesquisa qualitativa também relatou uma reação negativa à atuação de Flávio Bolsonaro como advogado de um policial militar envolvido na morte de uma criança. “Apesar de bem treinado, Flávio não foi convincente. A defesa do assassino de uma menina pegou muito mal para ele”, declarou o responsável pelo acompanhamento dos participantes.

No terceiro bloco, Lula recebeu avaliações superiores às do adversário em todos os dez grupos analisados. No segundo bloco, Flávio havia obtido vantagem em dois deles, enquanto os outros oito registraram empate. Os resultados correspondem às avaliações dos participantes da pesquisa qualitativa e não representam uma medição estatística das intenções de voto do eleitorado brasileiro.

O levantamento acompanhou cinco grupos de homens e cinco de mulheres, com participantes entre 25 e 60 anos, pertencentes às classes C e D. Os eleitores estavam distribuídos por Fortaleza (CE), São Paulo (SP), Belo Horizonte (MG), Porto Alegre (RS) e Rio de Janeiro (RJ). A pesquisa foi contratada por um instituto de São Paulo, e o acompanhamento das discussões foi divulgado pela coluna de Thiago Herdy, do Metrópoles.