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Apoiadora de Flávio rasga bandeira de Nossa Senhora Aparecida em ato em BH

Bolsonarista rasgando bandeira de Nossa Senhora da Aparecida em BH. Reprodução

Uma bolsonarista foi flagrada rasgando uma bandeira com a imagem de Nossa Senhora Aparecida durante um ato de apoio ao senador Flávio Bolsonaro (PL), neste sábado (24), em Belo Horizonte.

A manifestação, chamada de “Bloco do 22”, reuniu Flávio, o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e o governador eleito de Minas Gerais, Cleitinho Azevedo (Republicanos). Durante o evento, apoiadores também rezaram o Pai-Nosso, substituindo o trecho final da oração por “livrai-nos do PT”.

A imagem de Nossa Senhora Aparecida já havia provocado uma crise na campanha de Flávio em setembro, quando circularam publicações falsas afirmando que o senador pretendia retirar da santa o título de padroeira do Brasil. O candidato negou a intenção e acusou o PT de disseminar a informação. Também afirmou, sem apresentar provas, que pessoas ligadas à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) teriam participado da divulgação do conteúdo.

No dia 28 de setembro, Flávio e Tarcísio chegaram a erguer uma imagem de Nossa Senhora Aparecida durante uma caminhada de campanha em São Paulo, numa tentativa de afastar a associação do senador com ataques à padroeira.

Presidente Lula com a imagem de Nossa Senhora da Aparecida. Reprodução

Lula também entrou na discussão. Em entrevista à Band, afirmou considerar inaceitável qualquer tentativa de atingir Nossa Senhora Aparecida. Posteriormente, durante uma agenda em Belém, declarou que ninguém iria desrespeitar a santa enquanto estivesse na Presidência. A utilização de símbolos católicos passou a ocupar espaço nas atividades eleitorais dos dois candidatos.

A repercussão ultrapassou a disputa presidencial. Em 30 de setembro, o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a abertura de um inquérito pela Polícia Federal para investigar uma onda de ataques a imagens religiosas.

Os ataques da extrema direita contra Nossa Senhora

Um projeto apresentado em 2007 pelo então deputado federal Victório Galli, que posteriormente ocupou o cargo de assessor especial da Presidência no governo Jair Bolsonaro. A proposta, de número 2.623/2007, pretendia alterar a legislação para substituir a expressão “Padroeira do Brasil” por “padroeira dos brasileiros católicos apostólicos romanos”, restringindo o reconhecimento legal de Nossa Senhora Aparecida. Galli chegou a participar de um evento ao lado de Flávio Bolsonaro em abril de 2026, em Mato Grosso.

O bispo J. B. Carvalho, fundador da Comunidade das Nações, igreja na qual Flávio Bolsonaro e sua mulher foram batizados em 2024, defendeu no livro “A Bomba — A Verdade Pode Ser Explosiva” a retirada do título de padroeira do Brasil de Nossa Senhora Aparecida. Na obra, Carvalho classifica como ilegal a lei que reconhece a santa e o feriado de 12 de outubro. “Está na hora de destronarmos a Rainha em nossa nação e servir ao Deus verdadeiro”, escreveu. O bispo também convocou cristãos e parlamentares a se mobilizarem contra o reconhecimento da padroeira. Apesar da ligação religiosa, não há evidências de que Flávio tenha aderido à proposta.