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A democracia brasileira vai oferecer ao fascismo, pelo voto, a segunda chance de destruí-la?

Apoiadora de Bolsonaro em ato

As democracias estão caindo aos pedaços por todo lado. Mas os brasileiros podem perguntar: em que outra das chamadas grandes democracias ocidentais, dessas que resistem, mesmo que alquebradas, um candidato poderia se referir ao adversário como ‘nove dedos’?

Em que democracia uma família inteira, em que o patriarca está preso em casa, a mulher, a ex-mulher e os filhos do preso concorrem ou concorreram a cargos públicos? Em que outra democracia os debates entre os candidatos a presidente exigiriam tanta aferição do que é verdade ou mentira como exigem no Brasil?

Em que país um grupo familiar, articulado com a extrema direita americana, participa de sabotagens contra a economia do próprio país? Em que nação um sujeito foragido da Justiça faz o que Eduardo Bolsonaro fez, ao defender o envio de fuzileiros navais americanos ao Brasil se o irmão dele perder a eleição?

Em que país a imprensa das corporações adere, como colaboracionista, à defesa do ponto de vista de que fascistas e democratas têm os mesmos direitos na democracia? Em que país os veículos da grande imprensa são hoje tão subservientes à extrema direita?

Onde as falas, as atitudes e todas as ações do fascismo foram naturalizadas como no Brasil? Em que país o filho de um líder golpista pode se habilitar, quatro anos depois de uma tentativa de golpe, a ser eleito presidente do país que seu pai tentou dominar com um grupo de militares?

Lucas Pavanato e Eduarda Campopiano em “Bloquinho do 22” – Foto: Reprodução/Redes sociais

Em que democracia, além da americana, o voto é a arma contra a própria democracia, num ambiente em que xenofobia, racismo, homofobia e misoginia foram normalizados pela imprensa, por eleitores e até por instituições omissas, lenientes e acovardadas?

Em que país o sistema financeiro, com espaço geográfico definido, na Avenida Faria Lima, abriga em mais de 40 fintechs o crime organizado para lavagem de dinheiro sujo saído de dutos do tráfico e do setor público? Em todos? Mas com a mesma desenvoltura com que o PCC age no Brasil?

Onde um sujeito acusado pelo adversário de ser miliciano pode se eleger presidente e trabalhar com a perspectiva de ficar no poder, com seu grupo de extrema direita, por um período superior às duas décadas da ditadura iniciada em 64?

A democracia brasileira vai oferecer ao fascismo neste domingo, não por um golpe mas pelo voto, a chance de retornar ao poder para destruí-la?