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CV expulsa famílias de casa e impõe cobrança a comerciantes em 13 estados

Casas em comunidade da Grande João Pessoa
Casas em área da Grande João Pessoa onde famílias relataram ameaças e expulsões. Foto: Reprodução

O Comando Vermelho é investigado por expulsar moradores, cobrar valores de comerciantes e pressionar empresas de serviços em ao menos 13 estados. Um levantamento identificou 16 operações contra a facção entre janeiro e outubro de 2026, com participação de Ministérios Públicos em diferentes regiões do país. Com informações de Folha de S.Paulo.

Em Bayeux, na Grande João Pessoa, uma moradora identificada como Margarida relatou que recebeu dez minutos para deixar a casa com os três filhos após a chegada de dois homens armados, em agosto. O Ministério Público da Paraíba estima que outras 250 famílias perderam imóveis em casos atribuídos a grupos criminosos.

Relatórios da Agência Brasileira de Inteligência e da Secretaria Nacional de Políticas Penais apontam presença do Comando Vermelho em 26 estados. O Rio Grande do Sul é a única unidade da Federação sem registro da atuação da facção nesses documentos.

As apurações tratam de domínio territorial que vai além do tráfico de drogas, com tomada de imóveis, extorsão de comerciantes, cobrança a provedores de internet e restrições à operação de empresas. O Ministério da Justiça afirma que mantém redes especializadas e forças-tarefa para enfrentar organizações com atuação interestadual.

Pichações vistas em imóveis de Maranguape (CE); o estado registra investigações sobre a atuação do CV em cobranças ilegais a comerciantes e ataques a provedores de internet – Jarbas Oliveira – 23.jul.25/Folhapress

Ceará concentra investigações sobre cobranças e ataques a empresas

Em Fortaleza, a investigação sobre o assassinato dos comerciantes Wallace Goes de Oliveira, de 46 anos, e Roseany Lima de Oliveira, de 48, apura a cobrança de taxas para trabalhadores manterem suas atividades. O casal, que administrava um trailer de lanches em Mondubim, foi morto em 28 de agosto e deixou três filhos.

O Ministério Público do Ceará denunciou três homens em setembro por extorquir comerciantes do bairro. A acusação sustenta que a recusa ao pagamento poderia levar a atos de violência e que o assassinato do casal funcionou como punição e aviso a outros trabalhadores.

No interior cearense, operações em Sobral, Cariré, Meruoca e Alcântaras apuram cobranças ilegais no comércio de água e ataques contra provedores de internet. Em outubro, a polícia cumpriu oito mandados de prisão preventiva e 23 de busca e apreensão e pediu o bloqueio de R$ 15 milhões em bens e ativos de investigados.

Suspeitos picharam e depredaram fachadas e portões de empresas de internet em Alcântaras na madrugada de 16 de outubro e determinaram que elas deixassem o município em 24 horas, sob ameaça de incêndio. A Secretaria da Segurança Pública cearense informou que prendeu cem suspeitos de ataques a provedores desde julho de 2025.

Na Bahia, a Operação Território Livre investigou em fevereiro ameaças e cobranças ilegais contra empresas de internet em Dias d’Ávila, na Grande Salvador. No Maranhão, a Operação Hidra prendeu 15 pessoas suspeitas de violência e extorsão contra prestadores de serviço, com ações também no Rio de Janeiro, Pará e Mato Grosso.

A antropóloga e cientista política Jacqueline Muniz, professora da Universidade Federal Fluminense, afirma que as cobranças servem para financiar grupos e controlar territórios. Para ela, a taxa imposta a comerciantes e prestadores de serviços é “um dispositivo coativo de acesso e exploração do território”.

Em maio de 2026, o governo federal lançou o programa Brasil contra o Crime Organizado, com previsão de R$ 11,1 bilhões em investimentos e financiamentos. Entre 2023 e 2026, ações coordenadas ou apoiadas pela Secretaria Nacional de Segurança Pública registraram 1.390 operações, 276.785 prisões e R$ 84,58 bilhões em prejuízos financeiros ao crime.