
A gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB), aliado do senador Flávio Bolsonaro (PL), mantinha 3.898 ônibus municipais nas garagens de São Paulo por volta das 13h20 deste domingo (25), dia do segundo turno das eleições presidenciais, relata o Metrópoles.
O número corresponde a 28,3% da frota monitorada pelo aplicativo Infobus, apesar de uma determinação da Justiça Eleitoral para que a cidade operasse com 100% dos ônibus previstos para dias úteis.
Segundo o Infobus, que acompanha a localização dos veículos por georreferenciamento, apenas 9.892 dos 13.790 ônibus cadastrados na frota da SPTrans estavam em circulação naquele horário. O levantamento considera também os coletivos estacionados nos pontos iniciais e finais das linhas. No Rio de Janeiro, a taxa registrada era de 100%, mas a metodologia local exclui os veículos em manutenção.
Na sexta-feira (23), a Justiça Eleitoral determinou que a Prefeitura de São Paulo e a SPTrans mantivessem a frota municipal em operação neste domingo em níveis equivalentes aos de dias úteis. A medida buscava assegurar o transporte dos eleitores até os locais de votação e seu retorno após o encerramento do pleito.
A administração Nunes informou que comunicou a determinação judicial às concessionárias no sábado (24), mas não especificou o horário. Antes da decisão, a prefeitura anunciava que repetiria no segundo turno o esquema adotado na primeira votação, com uma quantidade de ônibus equivalente à programação de sábado.
Linhas registram mais ônibus nas garagens do que nas ruas
Os dados do Infobus apontaram diferenças expressivas entre o número de veículos disponíveis e os efetivamente utilizados em algumas linhas. No trajeto Vila Carrão–Praça da Sé, por exemplo, apenas um dos 17 ônibus cadastrados estava em circulação no início da tarde.
Na linha Shopping Center Norte–Jardim Fontális, que atende a zona norte da capital, havia 11 veículos em operação e sete nas garagens. Em outras duas linhas de grande circulação, que ligam o Terminal Santana aos terminais Ana Rosa e Jabaquara, na zona sul, 24 ônibus estavam em serviço, enquanto 33 permaneciam estacionados.
Rodrigo Faria G. Iacovini, diretor executivo do Instituto Pólis e integrante do Conselho Municipal de Trânsito e Transporte, afirmou que a circulação de 100% dos veículos é difícil devido à necessidade de manutenção. Segundo ele, entretanto, a taxa deveria superar 85%, preferencialmente chegando a mais de 90%.
“Os motoristas disseram que a ordem pra virem trabalhar hoje chegou tarde, depois das 18h de ontem, segundo algumas pessoas do campo apuraram”, relatou Iacovini.
Instituto Pólis havia cobrado reforço no transporte
Na sexta-feira (23), o Instituto Pólis encaminhou um ofício à Prefeitura de São Paulo e à SPTrans solicitando que a operação deste domingo seguisse a programação dos dias úteis, com atenção especial às regiões periféricas e aos locais de votação com maior concentração de eleitores.
A entidade pediu que a administração municipal colocasse em circulação “a frota e as partidas correspondentes à programação de dias úteis, em todas as linhas do sistema municipal, desde o início da operação até, no mínimo, o horário necessário ao retorno das eleitoras e dos eleitores após o encerramento da votação”.
O instituto também solicitou monitoramento em tempo real e reforço imediato nas linhas que apresentassem problemas de atendimento. Segundo a entidade, o ofício não recebeu resposta.
Ricardo Nunes participou ativamente da campanha de Flávio Bolsonaro à Presidência e foi alvo de acusações de assédio eleitoral. A redução da disponibilidade de ônibus ocorreu justamente no dia em que os eleitores paulistanos foram às urnas para decidir a disputa entre Flávio e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Os dados do Infobus mostram que quase três em cada dez veículos cadastrados estavam nas garagens às 13h20. A confirmação de eventual descumprimento da determinação judicial depende da análise da programação exigida, das condições operacionais da frota e das informações prestadas pela prefeitura e pela SPTrans.