
Relatos de eleitores que enfrentaram obstáculos para chegar às zonas eleitorais no segundo turno das Eleições 2026 superaram 773,7 mil publicações nas redes sociais. O levantamento do Instituto Democracia em Xeque reuniu alertas e denúncias de impedimento ou dificuldade de deslocamento para votar.
As postagens geraram mais de 3,9 milhões de interações. O instituto apontou crescimento da mobilização digital em defesa do direito ao voto e críticas a problemas de transporte em cidades brasileiras.
A hashtag #DeixeoNordesteVotar apareceu mais de 241,2 mil vezes nas últimas 24 horas e acumulou mais de 633,5 mil interações. Os relatos citaram redução de frota, filas para usar ônibus gratuitos e falhas na gratuidade do transporte.
O ministro Cristiano Zanin, do STF, determinou a prorrogação da votação em todo o país até as 19h, depois do encerramento previsto para as 17h, no horário de Brasília. A medida atendeu a um pedido do PT, que também recorreu ao TSE diante das dificuldades de transporte relatadas por eleitores.

Relatos envolveram cidades de ao menos quatro estados
A votação começou às 8h pelo horário de Brasília e seguiu a referência nacional também nos estados com fusos diferentes. Eleitores de municípios de São Paulo, Bahia, Sergipe e Rio de Janeiro relataram falta de ônibus para chegar aos locais de votação.
Em Salvador, o presidente do Tribunal Regional Eleitoral da Bahia determinou a prisão em flagrante do secretário municipal de Mobilidade, Pablo Souza, por causa da redução da frota de ônibus no segundo turno. A decisão respondeu a um pedido da campanha de Lula; Pablo estava em Paris em missão oficial.
A campanha de Lula também acionou a Justiça Eleitoral contra a gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB), em São Paulo. A coligação Brasil Pronto Pra Mais pediu a prisão em flagrante do secretário municipal de Mobilidade Urbana, Celso Jorge Caldeira, e do presidente da SPTrans, Victor Hugo Borges, e alegou descumprimento da ordem para manter 100% da frota prevista para dias úteis regulares.
Ricardo Nunes negou redução da frota e afirmou que São Paulo “tem mais ônibus do que a demanda”. Lula classificou a falta de ônibus relatada nos municípios como “banditismo”, “sacanagem” e “mau caratismo” de prefeitos, enquanto Flávio Bolsonaro (PL) pediu ao TSE a ampliação do horário até as 19h em municípios de Minas Gerais, Rio Grande do Sul, São Paulo, Paraná e Santa Catarina.