
A governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), teve a reeleição projetada pelo Datafolha neste domingo (25), no segundo turno das eleições de 2026. Com 55,2% das urnas apuradas, ela somava 57,63% dos votos válidos, contra 42,37% do deputado distrital Leandro Grass (PT).
O instituto acompanha a apuração divulgada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e utiliza um sistema que agrupa o eleitorado por mesorregião e características dos municípios. A projeção ocorre quando os dados indicam que o adversário não conseguirá ultrapassar o candidato que lidera a disputa.
Celina terá mandato até o fim de 2030. Esta foi a primeira eleição em que concorreu ao cargo de governadora, depois de ter atuado como deputada distrital e federal e assumido a vice-governadoria na chapa de Ibaneis Rocha (MDB), em 2023.
Ela passou a comandar o Distrito Federal em março, quando Ibaneis deixou o governo para tentar uma vaga no Senado. Em julho, o ex-governador desistiu da candidatura em meio ao desgaste provocado pela tentativa frustrada de compra do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB).
Crise do BRB entra na lista de desafios do novo mandato
No primeiro turno, Celina ficou a poucos votos de vencer a eleição sem nova votação: recebeu 49,93% dos votos válidos, enquanto Grass obteve 34,47%. Na campanha, ela se afastou de Ibaneis e dividiu palanques com Michelle Bolsonaro (PL), Bia Kicis (PL), Damares Alves (Republicanos) e Flávio Bolsonaro (PL).
A crise no BRB deve ser um dos principais temas do novo mandato. O banco, controlado pelo Governo do Distrito Federal, tentou adquirir o Master, de Daniel Vorcaro, mas o Banco Central rejeitou a operação em setembro de 2025.

Celina afirmou durante a campanha que não participou das discussões sobre a compra e que não mantinha contato com Vorcaro nem com o então presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, que está preso. Em abril de 2025, Vorcaro disse, em diálogos extraídos de seu celular, que ela “não ficou de fora” das discussões; a governadora respondeu que a revelação criava “uma narrativa que não é verdadeira”.
O Banco Central liquidou o Master em novembro de 2025, após a prisão de Vorcaro pela Polícia Federal. As investigações apontaram que o BRB transferiu cerca de R$ 17 bilhões ao banco, dos quais aproximadamente R$ 12,2 bilhões envolveriam títulos sem valor; Celina defende um empréstimo de até R$ 6,6 bilhões junto ao Fundo Garantidor de Créditos para recompor o caixa do BRB, medida que enfrenta resistência de grandes bancos.