
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deve ser reeleito neste domingo (25) para um quarto mandato, segundo projeção do Datafolha baseada nos dados da apuração do Tribunal Superior Eleitoral. Lula derrotou o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) após terminar o primeiro turno atrás do adversário.
O resultado, se confirmado pela totalização, dará a Lula um feito inédito na história eleitoral brasileira: quatro vitórias em disputas presidenciais. Aos 81 anos, que completa na terça-feira (27), o petista também se tornará o presidente mais idoso a ocupar o cargo no país.
Flávio havia vencido a primeira rodada com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula. A projeção apontou uma virada no segundo turno, cenário que não ocorria desde a retomada das eleições presidenciais diretas, em 1989, com um candidato que havia ficado em segundo lugar na votação inicial.
O dia da eleição teve tensão em torno do transporte público. O STF estendeu em duas horas o horário de votação após a campanha petista reclamar de obstáculos à liberação do serviço em dez estados, entre eles São Paulo e Bahia. Cristiano Zanin determinou a prorrogação, depois acompanhada por outros ministros.

Campanha de segundo turno mudou estratégia de Lula
No segundo turno, Lula alterou o comando da campanha e entregou a estratégia digital ao deputado André Janones (Rede-MG). O canal de WhatsApp chamado “Exército do Lula” chegou ao dia da votação com mais de 10 milhões de seguidores.
O petista também buscou apoio entre mulheres das periferias e católicos, enquanto Flávio concentrou o discurso no antipetismo e explorou críticas ao Judiciário. Os dois candidatos participaram de debates na Band e na Globo, encontros marcados por ataques e tensão entre as campanhas.
A reeleição abre para Lula o desafio de negociar com um Congresso mais inclinado à direita e de lidar com pressões na economia. O presidente terá apoio de partidos que já integram sua base, como PSD e MDB, mas enfrentará resistência a propostas de ampliação de gastos públicos.
Para o bolsonarismo, a derrota de Flávio deve ampliar a disputa pelo comando da direita até 2030. O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP), reeleito no primeiro turno, aparece entre os nomes com potencial para ocupar espaço no campo político liderado por Jair Bolsonaro.