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Flávio Bolsonaro, um homúnculo rumo à cadeia

O candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro acompanhado do ex-coach Pablo Marçal, Paulo Bilynskyj e aliados. Foto: Edilson Dantas

Por Paulo Henrique Arantes

Político vil, sem espinha dorsal, ligado desde tenra idade à ala podre da polícia carioca, Flávio Bolsonaro honrou o golpismo paterno ao perder a eleição presidencial para Luiz Inácio Lula da Silva. Chegou ao segundo turno da disputa por uma conjunção de fatores, sendo os principais deles a bactéria neofascista que corrói democracias pelo mundo, o analfabetismo político de metade do Brasil e a incapacidade da mídia de tratá-lo como risco real à democracia.

Tivessem bom gosto musical – mas preferem aqueles insuportáveis sertanejos -, seus eleitores poderiam entoar neste momento a resignada canção de Cartola, Carlos Cachaça e Zé da Zilda intitulada “Não quero mais amar a ninguém”, a qual descreve a frustração como “beijo que nasceu e morreu sem se chegar a dar”. A arte é franqueável até mesmo aos insensíveis.

A estatura moral de Flávio Bolsonaro é de rodapé. Ao afirmar, cinicamente, que não reconhece a derrota eleitoral, dá partida a uma nova rodada de narrativas golpistas bem ao gosto da família. Está no DNA. Claro, há um Donald Trump ao norte a lhe fornecer ombros para chorar, mas nada causará além de chateação. Um Trump que, depois das eleições parlamentares americanas de novembro, verá seu poder virar pó.

O senador que mentiu descaradamente durante a campanha eleitoral, como na vida inteira, terá enormes dores de cabeça judiciais. As chances de fazer dobradinha de condenados com o pai são grandes – até o mundo mineral sabe que a Presidência da República, e só ela, brindar-lhe-ia de investigações por crimes vários. Duas delas estão na ordem do dia.

Daniel Vorcaro durante audiência de custódia. Foto: Reprodução

Daniel Vorcaro e Willer Tomaz assombram o senador nos estertores do mandato. No caso da primeira assombração, só mesmo a figura partidária do ministro André Mendonça justifica a não-prisão cautelar de Flávio após conhecimento da fraterna solicitação milionária para financiar um filme-lixo, segundo versão para boi dormir.

A ligação de Flávio com Tomaz é ainda mais cabeluda. A Polícia Federal, neste momento, cruza dados do Ministério da Fazenda que apontam que o advogado movimentou cerca de R$ 5 bilhões em plataformas de apostas digitais em um único ano, chegando a sacar quase R$ 200 milhões. Ele foi identificado como a pessoa física que mais depositou dinheiro em bets no Brasil. A suspeita é de que o mercado de apostas e loterias tenha sido usado para a fase de ocultação e lavagem de capitais. A PF apura se Flávio Bolsonaro possui participação societária oculta na empresa de apostas BestBet, vinculada à Rede Loto e controlada indiretamente por empresas de Tomaz. Recentemente, o STF determinou o bloqueio de até R$ 6 bilhões em bens e contas ligadas ao advogado e suas empresas.

Lula tascou uma diferença de quatro milhões de votos no lombo de Flávio, uma vitória acachapante. O questionamento do resultado, pela extensão desigual do horário de votação, é patético tanto quanto foi a inação do presidente do Tribunal Superior Eleitoral no dia 25 de outubro. Ao longo do dia, diante das sólidas denúncias de que os prefeitos de São Paulo e Salvador prejudicavam a locomoção de eleitores, Kássio Nunes Marques optou pela inércia pusilânime. Apurados os votos, registre-se, agiu republicanamente ao proclamar de pronto a vitória de Lula. Pode partir feliz para novas aventuras com as ucranianas de Daniel Vorcaro.

À mídia nacional, que adora cobrar mea culpa de governos progressistas, resta retratar-se por sentenças como estas:

“A resistência do eleitorado no interior e o cansaço com o modelo econômico sinalizam o esgotamento do projeto petista” – Estadão.

“O desalento com Lula e Bolsonaro faz crescer grupos de indecisos… [Mas] a expectativa de uma virada é vista como um milagre estatístico diante do teto de rejeição do petista” – O Globo.

“Lula assumiu em 2023 imaginando um mundo parecido com o de 2010… Lula estava desatualizado para o seu terceiro mandato no Planalto” – O Globo, de novo.

“A recuperação de Lula no segundo turno ainda não foi suficiente para ultrapassar Flávio Bolsonaro… A resistência do eleitorado é o fator-chave” – Veja.

“Nenhum candidato que terminou o primeiro turno em segundo lugar virou a disputa na rodada final” – Folha de S. Paulo.