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Lula cobra lealdade do Centrão e busca novo pacto para governar

Lula entre Hugo Motta e Davi Alcolumbre
Luiz Inácio Lula da Silva entre Hugo Motta, presidente da Câmara, e Davi Alcolumbre, presidente do Senado. Foto: Reprodução

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) quer negociar um novo pacto com o Centrão para assegurar governabilidade em seu quarto mandato, após a reeleição de domingo. Aliados avaliam que a direita e a centro-direita continuarão com força no Congresso e defendem que partidos com espaço na Esplanada assumam compromisso efetivo com as pautas do Planalto.

O ministro da Secretaria de Relações Institucionais, José Guimarães, afirmou que o governo terá de redefinir sua relação com as siglas. “No Congresso, temos que sentar, estabelecer o limite de quem é ou não é governo”, disse. Para ele, os partidos que aceitarem cargos devem ser “100% governo”, sem manter uma posição ambígua nas votações.

No primeiro discurso depois da vitória, Lula reconheceu que enfrentará um Parlamento mais conservador e uma base de esquerda minoritária. “Eu não escolhi o Congresso. Foi o povo que escolheu. E é com ele que eu vou votar, vou trabalhar e vou aprovar as coisas”, afirmou o presidente.

União Brasil, PP, Republicanos, PSD e MDB receberam cargos no atual governo, mas atuaram como independentes no Congresso. No segundo turno, MDB e PSD liberaram os diretórios para apoiar Lula ou Flávio Bolsonaro (PL-RJ), enquanto União Brasil, PP e Republicanos apoiaram o senador, derrotado na disputa presidencial.

Recondução de Motta e Alcolumbre entra na negociação

O Planalto aposta na recondução do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), como passo inicial para montar uma base legislativa. Os dois apoiaram Lula, ajudaram a destravar propostas do Executivo durante a campanha e reconheceram rapidamente a vitória do petista.

A composição da Câmara amplia a dependência do governo em relação aos partidos de centro. O PL seguirá como a maior bancada, com 121 deputados, 24 a mais do que na legislatura atual, enquanto o PT passará de 68 para 70 cadeiras. União Brasil e PP, reunidos em federação, terão 87 deputados; PSD e Republicanos manterão bancadas próximas de 40 parlamentares cada um.

Motta já reuniu acenos de apoio de PP, União Brasil, Republicanos, PSD, MDB, PSDB, Cidadania, Podemos, Solidariedade, PRD e Avante. PDT e PSB também aderiram à sua recondução, e parlamentares petistas indicam que o PT deve formalizar apoio ao presidente da Câmara.

Alcolumbre enfrenta uma disputa mais difícil no Senado, onde o PL terá 28 senadores. Guilherme Derrite (PP-SP), André do Prado (PL-SP), Marcel Van Hattem (Novo-RS), Deltan Dallagnol (Novo-PR) e Evair de Melo (Republicanos-ES) já descartaram apoiá-lo. O senador Rogério Marinho (PL-RN) aparece como o nome mais forte do bolsonarismo para a presidência da Casa, enquanto Tereza Cristina (PP-MS) também se apresenta como pré-candidata.