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O plano de Lula para frear bolsonaristas no Congresso

Hugo Motta, Lula e Davi Alcolumbre. Foto: Gabriela Biló/Folhapress

O presidente reeleito Lula (PT) aposta na proximidade com os presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), para conter o avanço da oposição no Congresso e aprovar pautas do governo a partir da próxima legislatura. A informação é do jornal O Globo.

Após a vitória eleitoral, Lula reconheceu que enfrentará um Parlamento mais conservador e uma base de esquerda minoritária. “Eu não escolhi o Congresso. Foi o povo que escolheu. E é com ele que eu vou votar, vou trabalhar e vou aprovar as coisas”, disse no primeiro discurso depois da reeleição.

A articulação política do Planalto trata a recondução de Motta e Alcolumbre, prevista para fevereiro, como a primeira tarefa no Legislativo. A avaliação entre aliados do presidente é que a permanência dos dois nos comandos das Casas mantém um canal direto com a cúpula do Congresso.

Nas últimas semanas, os dois destravaram propostas de interesse do governo, atendendo a pedidos do Palácio do Planalto. Integrantes do governo também cobram uma atuação mais alinhada dos partidos do Centrão, que ocupam espaços na Esplanada, mas nem sempre acompanham as orientações do Executivo nas votações.

Bolsonaristas em ato no Congresso Nacional. Foto: José Cruz/Agência Brasil

Disputa pelo Senado desafia planos de Alcolumbre

Alcolumbre enfrenta um cenário mais difícil no Senado com o crescimento da bancada do PL, que terá 28 senadores. Parlamentares bolsonaristas eleitos defendem pautas contra ministros do Supremo Tribunal Federal, incluindo pedidos de impeachment, e parte deles já descartou apoiar o atual presidente da Casa.

O PL decidiu lançar candidatura própria para enfrentar Alcolumbre. Rogério Marinho (PL-RN), coordenador-geral da campanha de Flávio Bolsonaro, aparece como o nome mais cotado, enquanto a ex-ministra Tereza Cristina (PP-MS) também demonstrou interesse na disputa.

Lula e Alcolumbre retomaram o diálogo em agosto, depois de cerca de três meses sem conversas. O afastamento ocorreu quando o Planalto apontou o senador como um dos articuladores da derrota de Jorge Messias na disputa por uma vaga no STF.

Na Câmara, Motta reuniu indicativos de apoio de 13 partidos, entre eles PP, União Brasil, Republicanos, PSD, MDB, PSB e PDT. A votação para a presidência é secreta, e o deputado busca manter a unidade de seu grupo no Centrão após obter o apoio do líder do PSD, Antonio Brito, que era citado como possível candidato ao comando da Casa.