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A explicação do CEO da Atlas para o vexame dos institutos de pesquisa

Flávio Bolsonaro e Lula. Foto: Renato Pizzutto/Band

Andrei Roman, CEO da AtlasIntel, admitiu que o instituto errou a projeção do segundo turno de 2026 e afirmou que seu instituto, Quaest e Datafolha superestimaram Flávio Bolsonaro (PL) na reta final da disputa contra Lula (PT). Ele também parabenizou o instituto Futura, que apontou empate técnico na véspera da votação.

O resultado oficial do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) deu a reeleição a Lula com 51,79% dos votos válidos, ou 64.256.232 votos. Flávio recebeu 48,21%, o equivalente a 59.826.041 votos. A diferença final chegou a 3,58 pontos percentuais.

Na véspera da votação, em 24 de outubro de 2026, Datafolha e Quaest projetaram Flávio com 51% dos votos válidos e Lula com 49%. A AtlasIntel/Bloomberg indicou 50,8% para Flávio e 49,2% para Lula.

As três estimativas apontavam vantagem do candidato bolsonarista dentro das margens de erro divulgadas. A Futura registrou 50,1% para Flávio e 49,9% para Lula, em levantamento registrado no TSE sob o número BR-09726/2026. O instituto classificou o cenário como empate técnico.

Roman apontou que Quaest e Datafolha usaram “modelos errôneos de eleitor provável”. Para ele, a mobilização de eleitores de Lula exigia uma revisão na estimativa de comparecimento desse grupo, mas os dois institutos teriam seguido direção oposta.

AtlasIntel às vésperas do segundo turno. Foto: Reprodução

Veja a explicação:

Parabéns á Futura, que teve mais coragem que a AtlasIntel, Quaest e DataFolha juntas.

Quaest e DataFolha utilizaram modelos errôneos de eleitor provável, pois o nítido aumento da mobilização lulista elevava na margem a taxa de comparecimento desse grupo. Em vez de refletir esse padrão, fizeram o contrário, algo impossível de justificar.

AtlasIntel também pecou, não na metodologia, mas ao optar por um período de coleta de 5 dias na pesquisa de véspera, o que atenuou a tendência de afunilamento da corrida. A última atualização do nosso tracking mostrava diferença de 0,6pp, não 1,6.

No fim das contas, o medo de subestimar Flávio Bolsonaro — diante da perseguição judicial constante do TSE e da promessa de CPI das pesquisas — fez todos os grandes institutos superestimarem seu desempenho na margem.

Que isso fique de lição para todos nós. A justiça brasileira precisa, além do impeachment de vários ministros, de uma reforma e despolitização profunda. E a paixão política nunca deve se manifestar em pressões indevidas sobre os institutos de pesquisa.