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MPF denuncia aliado de Flávio por contrabando de 580 kg de mercúrio para garimpos

Mauro Mendes
O ex-governador de Mato Grosso e senador eleito Mauro Mendes (União Brasil). Foto: Geraldo Magela/Agência Senado

O Ministério Público Federal denunciou o ex-governador de Mato Grosso e senador eleito Mauro Mendes (União Brasil) sob acusação de envolvimento em um esquema de contrabando e importação clandestina de mercúrio destinado a garimpos. O caso envolve a aquisição de mais de 580 kg do metal. As informações são do UOL.

Mendes apoiou a candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro (PL) e se reuniu com ele em Brasília em 6 de outubro para reforçar o apoio no segundo turno, segundo o portal Primeira Página.

A denúncia, de 56 páginas e baseada na Operação Hermes Hg, também atinge Luis Antônio Taveira Mendes, filho do ex-governador, e Rafael Martins Moreira dos Santos, conhecido como Piqui. Mineração Aricá e Kin Mineração são citadas na ação. Segundo a acusação relatada pelo jornal, o mercúrio era destinado a atividades de extração de ouro em Mato Grosso e no Pará.

Entre os elementos citados estão conversas sobre o fornecimento do metal. Em uma negociação de 9 de junho de 2022, Rafael Martins disse que o empreendimento “É do Mauro”. Quatro dias depois, ao tratar de uma remessa com nota fiscal disfarçada de “bola de ferro/moinho”, Arnoldo Silva Veggi mencionou o destino como “Garimpo do Mauro Mendes”, segundo os trechos reproduzidos na reportagem.

Garimpo ilegal
Garimpo ilegal na Terra Indigena Sararé, em Mato Grosso. Foto: Lalo de Almeida/Folhapress

O MPF afirma que Mendes não aparece formalmente como sócio ou administrador da Mineração Aricá e da Kin Mineração, mas relaciona as mensagens a outros elementos da investigação. Um deles é o depoimento do geólogo Bruno Kenzo Deitos, que relatou visitas do ex-governador às instalações ao lado do filho. Luis Antônio teria participação na estrutura empresarial por meio da Sollo Mineração e exerceria funções gerenciais, de acordo com a acusação.

Segundo os procuradores, o esquema empregava rotas terrestres pela Bolívia e tentativas de importação da China e do México. O metal seria ocultado em cargas declaradas como tinta ou xampu, além de compartimentos de veículos e objetos como pesos de academia e martelos ocos. A denúncia também aponta créditos fictícios no sistema do Ibama para dar aparência legal às operações.

A investigação citada pelo Estadão encontrou 5,34 kg de mercúrio em um laboratório e registros sobre o uso da substância na mineração. Os procuradores também mencionam três transferências da Mineração Aricá à J.S. Torres, que somaram R$ 104.122,93 entre agosto e setembro de 2022, e um pagamento de R$ 31 mil a Arnoldo Silva Veggi.

O Estadão informou ter pedido manifestação de Mauro Mendes sobre as imputações. A reportagem não apresentou resposta do senador eleito às acusações deste caso.