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“Flávio está apavorado”: assessor revela temor de prisão após derrota para Lula

Flávio Bolsonaro
O candidato a presidência Flávio Bolsonaro (PL). Foto: Bryan Snyder/Reuters

Flávio Bolsonaro (PL) está “apavorado” com a possibilidade de ser preso e recuou da ofensiva para anular a eleição, afirmou um assessor da família ao Washington Post. A reportagem publicada nesta segunda-feira (26) relaciona a mudança de postura ao medo de prisão e à ausência de um sinal de intervenção de Donald Trump em favor do senador.

“Flávio desistiu”, disse o assessor, ouvido sob condição de anonimato. Segundo ele, o senador teme ser preso ainda nesta semana, enfrentar uma pena longa e que o pai, Jair Bolsonaro, morra preso. O ex-presidente está em prisão domiciliar. Para essa fonte, o temor de cadeia explica a disposição de aceitar a derrota na prática.

Segundo o aliado, Flávio já fez uma admissão prática do resultado ao abandonar o pedido de anulação da eleição e que agora o senador deve concentrar a ofensiva em ações pela cassação da chapa de Lula por suposto abuso de poder. Publicamente, porém, Flávio Bolsonaro manteve o discurso de contestação: “Não fui eu que perdi, foi o sistema que ganhou”.

O recuo veio logo depois de Trump alegar, sem apresentar provas, que a eleição brasileira parecera fraudada, mas não anunciou uma intervenção em favor do candidato derrotado. A reportagem apresentou essa ausência de sinal de ajuda como parte do contexto da mudança de postura de Flávio Bolsonaro.

Outro aliado, também ouvido sob anonimato, disse que a decisão de abandonar a anulação havia sido tomada em reunião na manhã de segunda-feira, diante do reconhecimento da vitória de Lula pelas autoridades. Segundo ele, as ações por abuso de poder são um procedimento rotineiro e que a campanha não espera que prosperem. Um dos argumentos seria o anúncio de aumento do principal benefício social do país antes do segundo turno.

A prorrogação da votação, usada pelo senador para questionar a eleição, foi solicitada pelas duas campanhas diante de problemas climáticos e de transporte. Segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), foram identificados cerca de 35,5 mil votos presidenciais após as 17h nas 497.897 seções analisadas. O volume identificado representa somente 0,023% do eleitorado brasileira.

O senador também foi intimado pela Polícia Federal a entregar seus passaportes em 24 horas, por determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal. Investigado por suspeitas de lavagem de dinheiro e evasão de divisas, Flávio Bolsonaro nega irregularidades, afirma que não planejava fugir e diz que contestará a medida.