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Tabet revela que ajudou Lula a responder provocações de Flávio nos debates

Antonio Tabet
Antonio Tabet, humorista, ator e roteirista. Foto: Reprodução

O humorista Antonio Tabet afirmou que ajudou a elaborar respostas usadas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nos debates contra o senador Flávio Bolsonaro (PL) durante o segundo turno das eleições de 2026. O deputado federal André Janones (Rede-MG), que comandou a mobilização digital da campanha, confirmou a colaboração relatada pelo ex-integrante do Porta dos Fundos.

Em publicação no X, Tabet disse que interrompeu compromissos profissionais e passou a trabalhar voluntariamente com Janones nos últimos dias da disputa. “Fiquei tão inquieto que cancelei peça, adiei trabalhos e passei a última semana falando mais com o André Janones do que com meus filhos. Acordei o publicitário adormecido aqui pra virar marketeiro voluntário. E ainda levo jeito”, escreveu.

O humorista contou que passou noites preparando argumentos para Lula sobre aposentadoria, a jornada 6×1 e ataques recorrentes ao presidente por causa da perda de um dedo. Tabet também disse ter ajudado a localizar uma mulher chamada Mariana, citada em uma das intervenções usadas na campanha.

“Achei a Mariana para perguntarmos quem ela era (‘Quem é Mariana?’) e me vi varando a noite escrevendo respostas para que fossem usadas no debate sobre aposentadoria, escala 6 por 1 e até nove dedos (aquela). Quando Lula falou, eu e meu filho — que sabia de tudo — comemoramos como um gol”, relatou.

Janones confirma colaboração e cita conversa sobre bastidores

Janones respondeu à publicação de Tabet e confirmou que os dois trabalharam juntos. Em tom de brincadeira, o deputado disse que pretendia revelar a colaboração em uma conversa no programa do humorista: “Verdade! Partiu do Tabet! Não era pra ter contado ainda! Eu ia revelar isso quando eu for falar contigo nos estúdios do seu programa, como combinamos! Estragou a surpresa”.

Tabet disse que Janones telefonou logo após Lula usar uma das respostas e brincou que não gostaria de enfrentá-lo em um debate. O humorista respondeu que tampouco gostaria de enfrentar o deputado, a quem chamou de “general” do grupo de mobilização digital do qual participou.

A atuação ocorreu na reta final de uma eleição em que Lula virou o resultado do primeiro turno e venceu Flávio Bolsonaro no domingo (25). O presidente recebeu 51,79% dos votos válidos, ante 48,21% do senador, uma diferença de cerca de 4,4 milhões de votos.

Janones ganhou projeção na campanha ao comandar o “Exército do Lula”, canal no WhatsApp criado para organizar apoiadores e distribuir conteúdos favoráveis ao presidente. O grupo, que reunia cerca de 50 mil seguidores antes do primeiro turno, ultrapassou dez milhões de participantes, e Lula agradeceu publicamente ao deputado após a vitória.

Tabet também relacionou sua decisão de participar da campanha a uma ação eleitoral movida por Flávio Bolsonaro em setembro. O senador questionou uma postagem do humorista no X que associava a expressão “família miliciana” a um ataque à imagem de Nossa Senhora Aparecida; o Tribunal Superior Eleitoral mandou retirar a publicação, mas o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, depois reverteu a decisão.

O humorista afirmou que enfrentou ameaças, ofensas e dificuldades financeiras durante o embate judicial. Ele disse que a preocupação com um filho LGBTQIAPN+ pesou em sua escolha de se envolver na disputa: “Quem é pai ou mãe de uma criança LGBTQIAPN+ sabe como é o medo de ter sua cria agredida na rua só por ela ser quem ela é. Esse medo se transforma em indignação. Que vira revolta. Que vira gana”.

Após a reeleição de Lula, Tabet declarou sentir “alívio” e “sentimento de justiça” e deixou aberta a hipótese de entrar formalmente na política em 2030. “Quem sabe não me filio a algum partido para a próxima? De repente, com gente que gosto ao lado”, escreveu.