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PT pede à Justiça bloqueio de até R$ 6 bilhões de Flávio Bolsonaro

O senador Flávio Bolsonaro. Foto: Divulgação

Os deputados federais Lindbergh Farias (PT-RJ), Alencar Santana (PT-SP) e Rogério Correia (PT-MG) pediram ao Supremo Tribunal Federal, na terça-feira (27), o bloqueio urgente de bens, direitos e valores do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) até o limite de R$ 6 bilhões. Eles também solicitaram que a Procuradoria-Geral da República se manifeste em 24 horas.

A petição foi apresentada após Flávio não entregar os passaportes à Polícia Federal dentro do prazo fixado pelo ministro Alexandre de Moraes. O senador deixou o Brasil rumo aos Estados Unidos, conforme confirmação de um aliado dele e de uma fonte do governo norte-americano à agência Reuters.

Os parlamentares sustentam que a saída do senador e o descumprimento da ordem judicial aumentam o risco de transferência ou ocultação patrimonial. Para eles, o bloqueio evitaria o envio de recursos ao exterior antes de uma decisão do Supremo.

O inquérito no STF apura suspeitas de lavagem de dinheiro e evasão de divisas envolvendo Flávio Bolsonaro e o advogado Willer Tomaz. Um relatório da Polícia Federal levantou a hipótese de uma sociedade de fato entre os dois, embora eles não apareçam formalmente como sócios nas empresas citadas na investigação.

O advogado Willer Tomaz. Foto: Divulgação

Em 23 de outubro, Moraes determinou o bloqueio de bens e valores de Willer Tomaz até R$ 6 bilhões, quebrou seus sigilos bancário, fiscal e cambial e suspendeu as atividades de suas empresas. No dia 26, o ministro cancelou os passaportes de Flávio, proibiu sua saída do país e vetou contatos entre o senador e o advogado.

A petição destaca uma conta da Alcazar Holdings, empresa sediada na Região Autônoma da Madeira, em Portugal. Willer figura como único sócio formal, mas documentos bancários anexados ao processo apontariam Flávio como “usuário master”, com alto nível de acesso e gerenciamento.

A Alcazar também tinha participação na Fraction 024 Administração de Bem Próprio S.A., dona de um jato executivo usado por Flávio em viagem entre Fort Lauderdale e Brasília, em janeiro de 2025. A investigação ainda apura uma possível participação oculta do senador na BestBet, marca ligada à Rede Loto e à Cathedral Holdings. Willer negou sociedade com Flávio e disse que ele nunca teve acesso de “usuário master” à conta; a assessoria do senador afirma que os dois mantêm amizade.

Os deputados pedem bloqueio de contas, imóveis, veículos, investimentos, participações societárias e criptoativos no Brasil e no exterior, inclusive em nome de terceiros ou empresas. Como alternativa, solicitam a indisponibilidade imediata dos R$ 8,18 milhões declarados por Flávio à Justiça Eleitoral, incluindo uma casa no Lago Sul, em Brasília, avaliada em R$ 6,22 milhões; o pedido aguarda análise do STF.