
O “Exército do Lula”, modelo de mobilização digital criado na campanha presidencial brasileira, inspirou o surgimento de grupos de esquerda na França voltados à eleição de 2027. A iniciativa não oficial “Les Soldats Insoumis” reúne apoiadores do partido A França Insubmissa (LFI), de Jean-Luc Mélenchon, e replica estratégias usadas por militantes brasileiros nas redes sociais e em aplicativos de mensagens.
Somente no WhatsApp, o grupo francês tinha mais de 15 mil integrantes na terça-feira (27). Também presente no Telegram e em redes sociais, a iniciativa orienta participantes a impulsionar hashtags, compartilhar publicações e convidar novos apoiadores.
O nome “Les Soldats Insoumis”, ou “Soldados Insubmissos”, faz referência ao LFI. Seus organizadores citam explicitamente o “Exército do Lula”, idealizado pelo deputado federal André Janones durante o segundo turno da disputa presidencial no Brasil.
O interesse pelo método brasileiro alcançou o próprio partido de Mélenchon. O LFI criou o grupo oficial “L’équipe de Mélenchon” para a campanha presidencial e divulgou um vídeo em que o deputado Antoine Leaument convoca os apoiadores.

LFI cria grupo oficial para campanha de Mélenchon
No vídeo, Leaument menciona diretamente a experiência brasileira: “Nós vimos bem o que aconteceu no Brasil e não se preocupem, vamos aplicar um método que funcione”. A eleição presidencial francesa está marcada para 18 de abril de 2027.
A prefeita-adjunta de Saint-Denis Silvia Capanema, integrante do LFI e professora da Universidade Sorbonne Paris Nord, afirmou à RFI que as iniciativas ganharam adeptos sobretudo entre brasileiros que vivem na França e começam a despertar interesse em setores locais.
“Acho que o mundo inteiro está olhando para o que aconteceu no Brasil, para a experiência do ‘Exército do Lula’ e para a mobilização das ruas. Só que não dá para copiar esse modelo e aplicá-lo da mesma forma na França, porque as necessidades são diferentes”, disse Capanema.
Ela avaliou que a esquerda francesa já tem presença significativa nas redes sociais, diferentemente do cenário enfrentado pela esquerda brasileira. Para a historiadora, o desafio na França se concentra mais nos meios tradicionais de comunicação.
Capanema também ponderou que a velocidade das plataformas exige renovação constante das táticas. “O próprio método do Janones foi muito útil e muito bom, mas temos que considerar que a rapidez do mundo digital é tão grande que, em pouco tempo, já vai estar defasado. Pois agora todo o mundo já tem essas armas”, afirmou.
Na Argentina, apoiadores do kirchnerismo criaram no Instagram a conta “Exército do Peronismo”, também inspirada na mobilização em torno de Lula. O canal de WhatsApp divulgado pela página superava 32 mil apoiadores na terça-feira (27).