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Todos os bolsonaristas que fugiram da Justiça brasileira

O fugitivo Flávio Bolsonaro. Foto: reprodução

O avião que transporta Flávio Bolsonaro (PL) deixou Guayaquil, no Equador, na manhã desta quarta-feira (28), após uma rápida escala para reabastecimento, e seguiu viagem com destino final apontado como os Estados Unidos. A aeronave havia partido de Puerto Iguazú, na Argentina, após o senador atravessar a fronteira terrestre vindo de Foz do Iguaçu.

A saída de Flávio ocorre depois de Alexandre de Moraes, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), determinar que ele entregasse os passaportes e permanecesse no Brasil. O senador não cumpriu a ordem, e a Polícia Federal cancelou seus documentos brasileiros. Tecnicamente, Flávio ainda não é considerado foragido.

O episódio acrescenta um novo nome a uma sequência de aliados de Jair Bolsonaro que deixaram o Brasil diante de investigações, condenações ou ordens judiciais.

Alexandre Ramagem é um dos casos mais recentes. Ex-diretor da Abin e ex-deputado, ele fugiu para os Estados Unidos em setembro de 2025 mesmo estando proibido pelo STF de deixar o país.

Segundo a Polícia Federal, atravessou clandestinamente a fronteira com a Guiana e depois embarcou para território estadunidense. Condenado a mais de 16 anos de prisão pela trama golpista, Ramagem é considerado foragido e alvo de pedido de extradição. Em abril, chegou a ser detido pelo serviço de imigração dos EUA, mas foi liberado dois dias depois.

Alexandre Ramagem, ex-diretor da Abin. Foto: reprodução

Carla Zambelli seguiu caminho semelhante em 2025. Após ser condenada pelo STF a dez anos de prisão pela invasão dos sistemas do Conselho Nacional de Justiça, deixou o Brasil, passou pelos Estados Unidos e chegou à Itália usando sua cidadania europeia.

A bolsonarista foi presa em Roma a pedido das autoridades brasileiras e responde a processos de extradição. Atualmente permanece na Itália enquanto a Justiça local analisa um novo pedido brasileiro, ligado à condenação pela perseguição armada a um jornalista em São Paulo.

A ex-deputada Carla Zambelli. Foto: reprodução

Outro aliado que permanece no exterior é o blogueiro Allan dos Santos. Radicado nos Estados Unidos, ele tem prisão preventiva decretada pelo STF desde 2021. À época, Moraes também solicitou cooperação internacional para sua extradição. A ordem de prisão foi mantida pelo Supremo em 2026.

Oswaldo Eustáquio também está fora do país. Foragido da Justiça brasileira desde 2023, ele vive atualmente na Espanha e se apresenta como “exilado”. Na semana passada, a Primeira Turma do STF tornou o blogueiro réu por organização criminosa relacionada aos atos de 8 de janeiro de 2023.

Oswaldo Eustáquio e Allan dos Santos. Foto: reprodução

Já Silvinei Vasques, ex-diretor da Polícia Rodoviária Federal, tentou escapar em dezembro de 2025 depois de romper a tornozeleira eletrônica. Condenado a 24 anos e seis meses pela trama golpista, atravessou para o Paraguai e foi preso no aeroporto de Assunção quando tentava embarcar para El Salvador usando um passaporte paraguaio falso. No fim, foi devolvido ao Brasil.

Há ainda Eduardo Bolsonaro, cujo caso tem uma diferença importante: ele fugiu para os Estados Unidos em 2025 antes de ser condenado. Posteriormente, foi sentenciado por coação no curso do processo e teve a prisão determinada pelo STF. Desde então, permanece em território estadunidense.

Silvinei Vasques e Eduardo Bolsonaro. Foto: reprodução