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Fuga de Flávio Bolsonaro pode gerar pedido de prisão? Saiba o que dizem juristas

Flávio Bolsonaro. Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado

A saída de Flávio Bolsonaro (PL) do Brasil pode fundamentar um pedido de prisão preventiva do senador, na avaliação de especialistas em direito penal consultados pela Folha. O filho do ex-presidente Jair Bolsonaro teria viajado aos Estados Unidos após o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinar o cancelamento de passaportes emitidos em seu nome e proibir que deixasse o país.

Flávio é alvo de duas investigações no STF: uma apura suspeitas relacionadas à produção do filme “Dark Horse”; a outra envolve sua ligação com o advogado e empresário de apostas Willer Tomaz, investigado no escândalo do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). A restrição de viagens partiu do inquérito sob sigilo que apura suspeita de lavagem de dinheiro.

A Polícia Federal apontou “risco concreto de evasão do território nacional” ao pedir a apreensão do passaporte do senador. A representação chegou a Moraes no domingo (25) e citou a saída de Willer Tomaz do Brasil como precedente, além da estrutura que Eduardo Bolsonaro manteria nos Estados Unidos.

Para o professor de direito penal da USP Mauricio Stegemann Dieter, Flávio violou a mesma proibição que justificou a medida contra seu passaporte: deixar o país. Dieter afirmou à Folha que uma eventual prisão preventiva pode abrir caminho para pedido de extradição antes mesmo de uma condenação definitiva.

Juristas apontam risco de fuga e debate sobre atuação da PGR

A retenção de passaporte é uma medida cautelar prevista no Código de Processo Penal quando há indícios de risco de fuga. Compra de passagens, preparativos de viagem, declarações públicas sobre deixar o país e precedentes de evasão estão entre os elementos que podem sustentar esse tipo de decisão judicial.

O cancelamento do passaporte determinado por Moraes é mais severo que a simples apreensão do documento, pois impede sua validade. Os especialistas ouvidos pela Folha convergiram na avaliação de que a saída do senador, após a ordem, justificaria o endurecimento das cautelares, inclusive com prisão preventiva.

Rodrigo de Grandis, professor de direito penal e processo penal da FGV Direito SP, avaliou que a falta de manifestação prévia da Procuradoria-Geral da República pode provocar questionamentos. “Me parece que se não se colheu previamente, existe de certa forma uma falha”, disse, ao mencionar o papel da PGR como fiscal da lei.

O advogado Renato Vieira, doutor em direito processual penal pela USP, afirmou que a legislação permite ao juiz reforçar medidas cautelares ou decretar prisão preventiva. Sem analisar os documentos do caso, ele disse que o descumprimento da ordem e a saída do país indicariam risco de fuga; a investigação pode seguir por cooperação internacional, mesmo com o senador fora do Brasil.