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PF quer bloqueio de bens e prisão preventiva de Flávio Bolsonaro

Flávio Bolsonaro. Foto: Eduardo Anizelli/Folhapress

A Polícia Federal avalia pedir ao Supremo Tribunal Federal (STF) o bloqueio de bens e valores do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e também considera solicitar sua prisão preventiva após ele deixar o Brasil rumo aos Estados Unidos. Flávio é investigado em inquérito sobre suspeitas de lavagem de dinheiro e evasão de divisas por meio de plataformas de apostas esportivas.

O caso está sob relatoria do ministro Alexandre de Moraes. Investigadores também fizeram diligências nesta terça-feira para rastrear a rota usada pelo senador na saída do país, após a confirmação de que ele chegou aos EUA.

No domingo, depois do segundo turno das eleições, a PF comunicou a Moraes que havia “risco concreto de evasão do território nacional”. Em vez de requerer imediatamente a prisão preventiva, os investigadores pediram a entrega dos passaportes de Flávio e a proibição de contato dele com o empresário e advogado Willer Tomaz.

A PF passou a considerar a detenção porque Flávio teria descumprido a ordem judicial. Os investigadores avaliam, porém, que uma prisão decretada no Brasil pode ter efeito prático limitado, pois o governo de Donald Trump anunciou que permitirá a permanência do senador e de sua família nos Estados Unidos.

Sede da Polícia Federal em Brasília
Prédio da sede da Polícia Federal em Brasília. Foto: Reprodução

Bloqueio de patrimônio e possível inclusão na Interpol

Uma das medidas em estudo é o bloqueio de patrimônio, estratégia que investigadores chamam de “asfixia financeira”. O objetivo é interromper a suposta movimentação criminosa investigada e pressionar o retorno do senador ao país.

Moraes já determinou providências semelhantes contra Willer Tomaz, amigo de Flávio que está nos Estados Unidos desde agosto. A decisão autorizou a quebra dos sigilos bancário, fiscal e cambial e o sequestro de bens móveis e imóveis, até o limite de R$ 6 bilhões.

O ministro também impôs bloqueio de bens ao ex-deputado Eduardo Bolsonaro em julho de 2025, quando apurações apontaram que o ex-presidente Jair Bolsonaro lhe enviava recursos para custear a estadia nos EUA. Pessoas próximas à família afirmaram que Eduardo teria articulado a saída do irmão com autoridades americanas.

Se Moraes decretar a prisão preventiva, o nome de Flávio poderá entrar na lista vermelha da Interpol. A difusão não determina uma prisão automática: as autoridades do país onde a pessoa estiver decidem se cumprem ou não eventual pedido brasileiro.

Deputados do PT protocolaram petições nesta terça-feira para pedir a inclusão de Flávio na difusão da Interpol e uma manifestação da Procuradoria-Geral da República. Rogério Marinho, ex-coordenador da campanha do senador, recebeu uma mensagem de Flávio por volta das 8h; ele disse que precisava “espairecer” e, depois, ficou incomunicável.