
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) entrou na Argentina com um passaporte italiano na noite de terça (27), antes de seguir com a mulher e as duas filhas em uma viagem cujo destino final é Miami, nos Estados Unidos. A travessia ocorreu dois dias depois de o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinar o cancelamento dos passaportes brasileiros do parlamentar e a entrega de eventuais documentos estrangeiros.
Flávio cruzou a Ponte Internacional Tancredo Neves, na província argentina de Misiones, acompanhado da esposa, Fernanda Antunes Figueira Bolsonaro, e das filhas Carolina e Luiza Figueira Bolsonaro. As três apresentaram passaportes brasileiros às autoridades argentinas.
Os quatro deixaram o Brasil sem passar por posto da Polícia Federal. Brasileiros que saem do país por fronteiras terrestres não precisam realizar controle de saída, e a PF não monitorava o senador quando ele deixou sua residência em Brasília.
Moraes decidiu que a Polícia Federal deveria cancelar os passaportes brasileiros de Flávio. O ministro também ordenou a entrega de todo documento estrangeiro em posse do senador, medida que ele não cumpriu.

Argentina registrou entrada da família sem impedimentos
A Direção Nacional de Migrações da Argentina informou que Flávio e seus familiares ingressaram no país às 22h50 pelo posto fronteiriço da Ponte Internacional Tancredo Neves. O órgão afirmou que os viajantes apresentaram documentação válida e que o procedimento transcorreu sem incidentes.
O comunicado argentino identificou o senador como Flavio Nantes Bolsonaro e registrou os nomes de Fernanda Antunes Figueira Bolsonaro, Carolina Figueira Bolsonaro e Luiza Figueira Bolsonaro. A nota não apontou qualquer impedimento legal para a entrada da família no país.
Não havia ordem de prisão nem outra medida judicial que impedisse fisicamente Flávio de deixar o Brasil. A determinação de Moraes se concentrou no cancelamento dos documentos brasileiros e na entrega de passaportes de outros países.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse na noite de terça (27) que aprovaria a entrada de Flávio Bolsonaro no país, embora tenha afirmado desconhecer seu paradeiro. “Ouvi dizer que ele estava na Argentina, mas não sei onde está agora”, declarou.