Diário do Centro do Mundo | O que interessa e nada mais

Logo DCM
Logo DCM
Apoie o DCM

A fuga planejada do ladrão: Flávio sabia que seu destino estava entre a Presidência e a prisão

Flávio Bolsonaro. Foto: Adriano Machado/Reuters

Por Jeferson Miola, publicado no blog do autor

Desmoronou completamente a mentira dos bolsonaristas de que Flávio Bolsonaro teria fugido do Brasil depois que a PF pediu a entrega dos passaportes dele.

Uma mentira, aliás, endossada inicialmente até por certos setores da mídia, como uma indefectível colunista da Globo.

Se de fato Flávio fosse um perseguido político, ele seria vigiado e monitorado pela Polícia Federal 24 horas por dia, e dificilmente conseguiria ter fugido, sobretudo da maneira como conseguiu fugir.

O miliciano fugiu porque sabia, desde sempre, que seu destino estava entre a Presidência da República e a prisão.

A candidatura foi uma tentativa de obter um salvo-conduto para não ser julgado, condenado e preso nos processos que responde por corrupção, lavagem de dinheiro, evasão de divisas, organização criminosa, fraudes, desvios e outros ilícitos.

No cargo presidencial, as investigações criminais seriam interrompidas, ele teria imunidade e ganharia tempo para se safar no STF com a ajuda dos atuais ministros bolsonaristas também implicados com o mafioso Daniel Vorcaro, mais os outros três que ele indicaria durante o mandato, se eleito.

Ainda não são conhecidos os pormenores do plano de fuga do miliciano, mas sabe-se que foi arquitetado com razoável anterioridade. E, dada a complexidade da operação, pode-se inferir que tenha sido concebido em Washington como uma missão de exfiltração do aliado de Trump.

A exfiltração, que é o oposto de infiltração, consiste na “retirada de um indivíduo de forma segura e coordenada de um ambiente hostil, perigoso ou sob controle inimigo”, e consiste no emprego de técnicas de inteligência, espionagem e, eventualmente, recursos militares.

Foi uma grande e complexa operação. Planejada com antecedência, sem improvisos e com ações de despiste, como a notícia falsa plantada no site argentino Infobae 24 horas antes da fuga efetiva para desviar a atenção e desarticular as medidas que ainda poderiam ser tomadas pela PF para impedir a ação criminosa.

Uma operação cinematográfica que teve o envolvimento direto de agentes do governo de Javier Milei e de empresários ligados à extrema-direita.

A jornalista Janaína Figueiredo/UOL apurou que Santiago Caputo, um estrategista ao estilo Steve Bannon que exerce enorme influência no governo Milei mesmo sem um cargo formal, “viajou até Puerto Iguazú, onde se hospedou em um hotel, deslocou-se até Foz do Iguaçu–onde o senador Flávio Bolsonaro esteve com sua família–e acompanhou toda a operação para levá-los, a partir do aeroporto de Puerto Iguazú, aos Estados Unidos, com escala no Equador”.

Janaína acrescenta que “em território argentino, a van [que conduzia os fugitivos] passou a ser acompanhada pela Polícia de Segurança Aeroportuária argentina, o que é mais um forte indício do envolvimento do governo argentino em toda a fuga”.

Flávio fraudou a escolha de quase 60 milhões de brasileiros e brasileiras que votaram nele na ilusão de estarem votando contra Lula e o PT, mas acabaram descobrindo que votaram em um bandido que tinha como objetivo exclusivo evitar sua condenação e prisão.

O Brasil ainda precisa debater a proteção dada por André Mendonça ao miliciano.

A candidatura deste criminoso fugitivo só foi até o fim graças a este apoio decisivo do André Mendonça. O ministro terrivelmente bolsonarista escondeu por meses e paralisou o inquérito aberto para investigar crimes de corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas nos R$ 134 recebidos do banqueiro mafioso para a suposta produção do filme Dark Horse.

A mídia dominante também tem uma enorme parcela de responsabilidade nessa situação absurda. Em nome do antipetismo, as famílias que dominam os meios de comunicação normalizaram a candidatura do miliciano sem escrutinar a ficha criminal dele, como seria esperável de uma imprensa imparcial e decente.

Se Lula não tivesse vencido no dia 25 de outubro, a família miliciana teria conseguido instalar no Brasil um governo do banditismo e do gangsterismo.