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MP pede condenação do bolsonarista Cariani por tráfico e lavagem de dinheiro

Renato Cariani em montagem com produtos químicos
Renato Cariani e produtos químicos associados à empresa Anidrol. Foto: Reprodução

O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) pediu a condenação do empresário bolsonarista e influenciador fitness Renato Cariani por associação para o tráfico, tráfico de matéria-prima destinada à fabricação de drogas e lavagem de dinheiro. Se a Justiça acolher integralmente a acusação, a pena pode variar de 16 anos e 4 meses a 51 anos e 8 meses de prisão, além de multas.

Cariani responde ao processo em liberdade. A Promotoria também pediu a condenação de Fábio Spindola Mota e Rodrigo Gomes Pereira pelos mesmos crimes, em uma ação que apura o suposto desvio de produtos químicos para a produção de crack e cocaína.

O cálculo da pena considera 59 acusações de tráfico de insumos para fabricação de drogas e 59 acusações de lavagem de dinheiro, além do crime de associação para o tráfico. A eventual sentença ainda dependerá da análise judicial sobre a continuidade delitiva apontada pela acusação.

Mesmo que a soma das penas ultrapasse quatro décadas, a legislação brasileira limita o tempo máximo de cumprimento de pena a 40 anos. O pedido do Ministério Público não representa condenação, e o processo entrou na fase de alegações finais das defesas.

Jair Bolsonaro e Renato Cariani. Foto: Reprodução

Acusação aponta vendas simuladas e retirada de produtos fora do expediente

O Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado de São Paulo acusa a Anidrol Produtos para Laboratórios, empresa da qual Cariani é sócio e que fica em Diadema, na Grande São Paulo, de simular 59 vendas de produtos químicos a empresas que não teriam solicitado as mercadorias.

Na denúncia, os promotores afirmam que Cariani autorizou, em 26 de fevereiro de 2018, a separação e a retirada fora do horário de expediente de produtos faturados à AstraZeneca, entre eles 100 litros de éter etílico e 50 quilos de cloridrato de lidocaína. A acusação sustenta que ele apresentou à Polícia Federal comprovantes com placas, documentos e habilitações falsos.

A investigação começou em 2019, quando a AstraZeneca procurou o Ministério Público e informou não reconhecer notas fiscais emitidas pela Anidrol em 2017. Os investigadores apontam Fábio Spindola como responsável por criar um e-mail falso em nome de um suposto funcionário da farmacêutica e por intermediar a negociação e a entrega dos produtos químicos.

O advogado Aldo Romani Netto, que representa Cariani, declarou que recebeu o pedido de condenação “com naturalidade” e afirmou que a defesa responderá às teses do Ministério Público nas alegações finais. “Temos convicção de que esse julgamento conduzirá à absolvição de Renato Cariani”, disse.