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Deputado argentino exige que Milei explique fuga de Flávio Bolsonaro

Javier Milei e Flávio Bolsonaro. Foto: Divulgação

O deputado argentino Pablo Juliano, do partido Provincias Unidas, apresentou um pedido de convocação do ministro das Relações Exteriores da Argentina, Pablo Quirno, para explicar se o governo do presidente Javier Milei participou ou facilitou a fuga de Flávio Bolsonaro (PL) do Brasil. A iniciativa ocorreu após a confirmação de que o senador brasileiro atravessou a fronteira argentina e embarcou em um avião particular com destino ao Equador.

Juliano quer esclarecer se autoridades argentinas tinham conhecimento prévio da viagem e se houve colaboração de agentes públicos para viabilizar o deslocamento. O parlamentar também questiona se foram utilizados recursos do Estado, serviços de inteligência, estruturas de segurança ou instalações aeroportuárias para facilitar a passagem de Flávio pelo país.

“Flávio Bolsonaro estava proibido de sair do Brasil. Entrou na Argentina por Misiones e, naquela mesma noite, decolou de Puerto Iguazú em um avião privado. Quirno precisa explicar aos argentinos se o Estado o ajudou a escapar. A política externa não pode ser um clube de amigos da ultradireita que se protegem mutuamente”, afirmou o deputado argentino em publicação na rede social X, em tradução do espanhol.

A alegação de que Flávio estava proibido de deixar o Brasil foi feita por Juliano. O comunicado das autoridades migratórias argentinas não confirma a existência de uma restrição judicial brasileira válida no momento da entrada do senador no país.

Deputado argentino quer investigar possível ajuda do governo Milei

No pedido apresentado à Câmara dos Deputados da Argentina, Pablo Juliano afirma que pretende determinar se o território argentino foi utilizado para facilitar a saída internacional de uma pessoa submetida a restrições judiciais impostas por outro país.

O parlamentar também solicita informações sobre eventual conhecimento prévio da operação por integrantes do governo Milei e sobre a participação de funcionários públicos no deslocamento.

Outro ponto levantado é o cumprimento das obrigações internacionais de cooperação judicial entre Argentina e Brasil. Juliano quer saber se o Executivo argentino respeitou os compromissos de colaboração e reciprocidade entre os dois países.

Até o momento, as informações apresentadas não comprovam que o governo Milei tenha participado da viagem. O pedido parlamentar busca justamente esclarecer essa possibilidade.

Flávio atravessou a Argentina e embarcou em avião privado

Segundo a Direção Nacional de Migrações da Argentina, Flávio Bolsonaro entrou no país às 22h50 de terça-feira (27), pelo posto de fronteira da Ponte Internacional Tancredo Neves, na província de Misiones.

O senador estava acompanhado da mulher, Fernanda Antunes Figueira Bolsonaro, e das filhas Carolina e Luiza.

As autoridades argentinas informaram que os quatro apresentaram documentos de viagem válidos e não tinham impedimentos legais registrados para ingressar no país. A entrada foi autorizada sem incidentes.

Às 23h30, a família embarcou em um voo privado operado pela empresa Baires Fly S.A., com destino a Guayaquil, no Equador, conforme o plano de voo apresentado às autoridades.

A confirmação oficial esclareceu parte do trajeto percorrido pelo senador, mas não detalhou as circunstâncias de sua saída do Brasil nem informou se houve contatos prévios entre autoridades argentinas e brasileiras.

Milei evita comentar derrota de Flávio e vitória de Lula

A controvérsia ocorre em meio ao silêncio do presidente argentino Javier Milei sobre a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e a saída de Flávio Bolsonaro do Brasil.

Nesta quarta-feira (28), Milei cumpriu agenda na província de Catamarca, onde visitou uma instalação ligada à produção de lítio e participou de uma cerimônia pelo Dia do Mineiro.

Durante os compromissos, o presidente argentino não comentou a derrota de Flávio Bolsonaro nem a passagem do senador pelo território de seu país.

Milei mantém proximidade política com a família Bolsonaro e apoiou Flávio na disputa presidencial brasileira. A vitória de Lula frustrou a expectativa de que o governo argentino passasse a contar com um aliado ideológico no Palácio do Planalto.

O pedido de Pablo Juliano leva agora ao Congresso argentino os questionamentos sobre a viagem do senador brasileiro. O deputado exige que o chanceler Pablo Quirno esclareça se a passagem de Flávio pela Argentina ocorreu apenas mediante procedimentos migratórios regulares ou se houve algum tipo de assistência por parte do governo.