
A gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB) registrou por GPS apenas 58,6% das partidas de ônibus programadas para o segundo turno da eleição presidencial em São Paulo, no domingo (25). Das 163.015 viagens previstas, 95.552 foram monitoradas. Os dados constam de documento da SPTrans encaminhado ao Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) na terça-feira (27). Com informações da Folha de S.Paulo.
A diferença corresponde a 67.463 viagens previstas sem registro no levantamento, ou 41,4% da programação. O indicador mede partidas, não a quantidade de veículos em circulação: um mesmo ônibus pode realizar várias viagens. Na terça-feira, Nunes havia afirmado que 71% da frota circulou na eleição, com 8.814 veículos disponibilizados.
A Justiça Eleitoral havia determinado que a capital mantivesse 100% da frota prevista para dias úteis em funcionamento. O documento foi apresentado no âmbito de uma ação civil pública sobre a operação do transporte no dia da votação. A própria prefeitura reconheceu publicamente a obrigação de ampliar a oferta, embora tenha classificado a exigência como desnecessária.
Segundo os dados obtidos pela Folha, todas as regiões tiveram menos partidas monitoradas do que as programadas. O centro apresentou a maior defasagem proporcional. Na zona leste, que concentra a maior demanda de passageiros, foram registradas cerca de 35 mil viagens, diante de 61,3 mil previstas.
O sistema transportou aproximadamente 3,2 milhões de passageiros naquele domingo. O pico ocorreu às 9h, com cerca de 287 mil embarques, seguido das 10h, com 283 mil, e das 11h, com 275 mil. Às 8h, horário de abertura das seções eleitorais, já haviam sido registrados 251 mil passageiros.

Em resposta, a prefeitura afirmou que a SPTrans aplicou mais de R$ 1 milhão em multas às empresas que descumpriram a quantidade de viagens programadas. A administração também alegou que o presidente do TRE-SP não constatou insuficiência de transporte e que o Ministério Público se manifestou contra o prosseguimento de uma ação popular apresentada por parlamentares do PSOL.
A administração municipal recebia desde junho alertas sobre a obrigação de garantir transporte gratuito com frequência compatível com a dos dias úteis. As cobranças partiram da Justiça Eleitoral, do Ministério Público e da Defensoria Pública da União. A gestão sustenta que respondeu aos órgãos e planejou a oferta com base na demanda estimada.
As dificuldades de deslocamento relatadas em São Paulo e em outras cidades motivaram apurações da Polícia Federal e estiveram entre os fundamentos da decisão de Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), de ampliar o horário de votação até as 19h. A medida acabou restrita às seções eleitorais que ainda permaneciam abertas.